Prefeitura renovou por 12 meses o serviço de transporte e destinação dos resíduos em Uberaba e estuda alternativas para reduzir o volume enviado ao aterro
A Prefeitura de Araxá renovou por mais 12 meses o contrato para o transporte e a destinação dos resíduos sólidos urbanos produzidos no município. O serviço prevê um investimento de R$ 6,5 milhões e envolve o transbordo do lixo até Uberaba, onde os resíduos são encaminhados para um aterro sanitário licenciado.
De acordo com a secretária municipal de Serviços Urbanos, Anna Tereza Ávila, Uberaba foi escolhida por ser o aterro licenciado mais próximo de Araxá. A mudança ocorre após o encerramento da vida útil do aterro sanitário do município, cuja licença ambiental, segundo a secretária, está arquivada.
Atualmente, a Prefeitura mantém uma empresa contratada para realizar o encerramento do aterro de Araxá. Paralelamente, o município também realiza estudos para avaliar a possibilidade de implantação de uma nova estrutura por meio de uma parceria público-privada (PPP). Segundo Anna Tereza, ainda não há definição sobre o modelo que será adotado.
RELEMBRE MATÉRIA POSTADA NO ANO DE 2025:
Secretária esclarece transbordo de lixo para Uberaba e comenta sobre o futuro do aterro em Araxá




Imagens aéreas registradas em 22 de setembro de 2026 mostram a área do aterro sanitário de Araxá, que teve a vida útil encerrada e atualmente passa pelo processo de encerramento. Com os resíduos do município sendo encaminhados para um aterro licenciado em Uberaba, a Prefeitura estuda alternativas para a destinação do lixo e a ampliação da coleta seletiva. Fotos: Edvaldo Gomes
Custo envolve transbordo e destinação
O contrato renovado prevê R$ 6.518.575,16 para o período de 12 meses. Segundo a secretária, o valor é dividido principalmente entre o serviço de transbordo, responsável pelo transporte dos resíduos até Uberaba, e a destinação final, que corresponde ao recebimento e tratamento do lixo no aterro sanitário licenciado.
Anna Tereza informou que, na operação cotidiana, os dois serviços representam um custo mensal de aproximadamente R$ 400 mil, considerando a quantidade efetivamente transportada e destinada.
O termo aditivo do contrato prevê 21.924,98 toneladas de resíduos Classe II-A durante o período, além de serviços de transporte e destinação de resíduos classificados como perigosos. Com a renovação, o valor acumulado do contrato original com o CIMINAS chega a R$ 13 milhões, considerando o contrato anterior e o novo período de prestação dos serviços.

Anna Tereza Ávila, secretária de Serviços Urbanos de Araxá, explicou a logística de transporte e destinação dos resíduos do município. Foto: Alex Xexéu
Araxá produz cerca de 2,5 mil toneladas de resíduos por mês
Segundo a Secretaria de Serviços Urbanos, Araxá produz atualmente cerca de 2,5 mil toneladas de resíduos por mês. A quantidade é superior à previsão de resíduos comuns apresentada no termo aditivo quando considerada isoladamente, o que pode estar relacionado à forma de medição e aos diferentes componentes abrangidos pelo contrato.
A secretária reconheceu que a coleta seletiva ainda precisa ser ampliada no município. Segundo ela, uma maior separação dos materiais recicláveis poderia reduzir a quantidade de resíduos encaminhados para Uberaba e, consequentemente, diminuir os custos da destinação final.
“Eu aprimorando a coleta seletiva, eu vou reduzir a quantidade de lixo que a gente manda para Uberaba, consequentemente eu vou reduzir os custos desse contrato”, explicou Anna Tereza.



Área de Bota-Fora localizada no fim da Rua Terêncio Pereira, no bairro Mangabeiras, em Araxá, é destinada ao recebimento de resíduos de construção civil (RCC) e materiais provenientes de poda de árvores. O espaço é voltado para pequenos geradores e faz parte da estrutura de descarte e destinação de resíduos do município. Fotos: Alex Xexéu
Prefeitura estuda contratar empresa para ampliar coleta seletiva
Atualmente, a coleta seletiva é realizada por três associações e uma cooperativa. A Prefeitura não possui contrato específico para a execução do serviço, mas repassa termos de fomento para auxiliar no custeio dos espaços utilizados pelas entidades.
De acordo com a secretária, a estrutura atual não consegue atender de maneira integral os cerca de 105 bairros de Araxá. Por isso, o município estuda a contratação de uma empresa especializada para organizar e ampliar a coleta seletiva em toda a cidade, mantendo a destinação dos materiais para as associações e cooperativa que dependem da atividade.
A proposta, segundo Anna Tereza, é criar uma logística capaz de atender todo o território municipal e aumentar o volume de materiais retirados da coleta convencional.
Catatreco atende descarte de móveis e eletrodomésticos
Durante a entrevista, a secretária também explicou o funcionamento do serviço de Catatreco, destinado ao recolhimento de objetos volumosos que não devem ser colocados junto ao lixo comum.
O serviço atende itens como móveis antigos, sofás, cadeiras, guarda-roupas, tanquinhos, ventiladores e televisores. O agendamento pode ser feito pelo telefone (34) 3668-0608, de segunda a sexta-feira, das 12h às 18h.
A Prefeitura reforça que o serviço não é destinado ao recolhimento de lixo doméstico convencional, restos de construção ou outros materiais que possuem destinação específica.
Ecopontos recebem poda e resíduos da construção civil
Araxá também conta com um ecoponto localizado no final da rua Terêncio Prereira, que recebe resíduos de construção civil (RCC) e materiais provenientes de poda de árvores.
Segundo a secretária, o município possui um compromisso firmado com o Ministério Público para a implantação de outros três ecopontos em diferentes regiões da cidade.
Os pontos são destinados principalmente a pequenos geradores e não devem ser utilizados por empresas para descarte de grandes volumes.
Coleta de lixo ocorre de segunda a sábado
Apesar das mudanças relacionadas à destinação final, a coleta convencional continua sendo realizada normalmente em Araxá.
Segundo Anna Tereza, o município mantém coleta de segunda a sábado. Aos domingos, o serviço é realizado na região de bares e restaurantes, áreas que concentram maior geração de resíduos.
A discussão sobre a destinação do lixo ocorre em um momento de transição para o município, com o encerramento da vida útil do aterro de Araxá, o envio dos resíduos para Uberaba e a busca por alternativas que possam reduzir o volume destinado ao aterro e, consequentemente, os custos da operação.


Problemas com o lixo também atingem outros municípios de Minas
A destinação dos resíduos sólidos é um desafio enfrentado por diferentes cidades de Minas Gerais. Em Montes Claros, por exemplo, a Justiça aplicou em 2025 uma multa de R$ 200 mil ao município após pedido do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), em razão do descumprimento de um acordo para adequar pontos de descarte de resíduos. Segundo o MPMG, algumas dessas áreas funcionavam como lixões a céu aberto. Um dos locais, no bairro Canelas, chegou a ser atingido por um incêndio de grandes proporções, que provocou uma nuvem de fumaça que se espalhou pela cidade e permaneceu por mais de 24 horas.
Em Camanducaia, no Sul de Minas, uma decisão judicial de 2024 determinou que o município regularizasse o manejo dos resíduos sólidos urbanos. Apesar do encerramento do antigo lixão e da terceirização da coleta, o MPMG apontou problemas como acúmulo de materiais em áreas descobertas e falta de estrutura adequada na estação de transbordo. A Justiça determinou que os resíduos fossem encaminhados para aterro sanitário devidamente licenciado e proibiu o depósito de lixo urbano em áreas descobertas ou sobre solo permeável.
A CIDADE NÃO PARA E A CIDADE SÓ CRESCE:
Araxá chega a população estimada de 119.834 habitantes em 2026