BEM BRASIL
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Postado em: 21/08/2026 - 16:08 Última atualização: 21/08/2026
Por: Manoelita Chagas - Portal Imbiara

Araxá acompanha avanço dos podcasts e novas tecnologias na produção de conteúdo

Alan Tannús destaca crescimento das produções digitais, transmissões remotas e uso da inteligência artificial no mercado audiovisual

Além da entrevista com Alan Tannús, o Conexão Imbiara – Economia e Negócios discutiu o cenário econômico brasileiro. Foto: Manoelita Chagas

A transformação tecnológica vem mudando a forma como empresas, profissionais e instituições produzem e distribuem conteúdo. Em Araxá, esse movimento também começa a ganhar espaço, especialmente com o crescimento dos podcasts, das transmissões pela internet e de novas soluções para produção audiovisual.

O assunto foi discutido no programa Conexão Imbiara – Economia e Negócios, da Rádio Imbiara, na quinta-feira (20), que recebeu o produtor Alan Tannús. Com 37 anos de atuação profissional, ele trabalha atualmente com produção audiovisual, podcasts, transmissões de eventos e soluções técnicas para projetos realizados de forma remota.

Segundo Tannús, a pandemia acelerou uma transformação que já estava em andamento no setor. A popularização dos estúdios domésticos, o avanço da internet e o crescimento das plataformas digitais ampliaram as possibilidades de produção de conteúdo fora dos grandes centros. “A pandemia nos trouxe essa necessidade de dar uma diversificada. A gente já estava namorando essas questões de transmissão, e como a pandemia acelerou muito essa necessidade da comunicação de forma virtual, eu falei: não, está na hora de entrar de cabeça nisso daí”, explicou.

Podcasts ganham espaço entre empresas e profissionais

Embora o formato já esteja consolidado nos grandes centros, o mercado de podcasts ainda passa por uma fase de crescimento em cidades do interior. Para Tannús, um dos principais desafios para quem decide investir nesse tipo de produção é compreender que a formação de audiência exige tempo, planejamento e, principalmente, constância.

O produtor observa que muitas pessoas iniciam um projeto esperando resultados rápidos, mas plataformas como o YouTube dependem da construção gradual de público. Nesse processo, os episódios completos também podem gerar novos conteúdos para redes sociais, especialmente por meio dos chamados cortes. “As pessoas já sabem da importância do podcast, mas ainda não têm, às vezes, essa constância. Começam e já querem um resultado a curto prazo, e o resultado não vem”, afirmou.

A produção de um único episódio pode render diferentes formatos de conteúdo, ampliando o alcance do investimento. Uma entrevista mais longa, por exemplo, pode ser transformada em pequenos trechos para Instagram, TikTok e outras plataformas. “O podcast hoje é uma ferramenta interessantíssima. E ela é muito barata. Se você faz um episódio de uma hora e meia, isso gera conteúdo para Instagram, os famosos cortes”, explicou.

Tannús também citou iniciativas de Araxá que já mantêm uma rotina de entrevistas com participação de mulheres e produção regular há cerca de dois anos. Segundo ele, projetos desse tipo demonstram que o formato começa a conquistar espaço no mercado local, embora ainda exista um caminho de amadurecimento.

Para o produtor, a tendência é que empresas de diferentes segmentos passem a utilizar cada vez mais o formato para apresentar seus serviços, conversar com clientes e produzir conteúdo especializado.

Transmissões remotas reduzem custos

Outra frente de atuação de Tannús são as transmissões remotas. A tecnologia permite que câmeras instaladas em um determinado local sejam controladas à distância, enquanto parte da operação técnica é realizada de outro ponto.

Um dos projetos citados durante a entrevista envolve transmissões religiosas. Segundo ele, a proposta surgiu a partir da necessidade de realizar transmissões sem precisar deslocar toda a estrutura de produção a cada evento. “Eu não consigo sair todo final de semana com meu estúdio e ir para a igreja transmitir. Mas já estava formatando uma ideia para fazer esse trabalho de forma remota”, relatou.

O sistema pode ser utilizado também em eventos esportivos e outras produções que exigem operação de câmeras em tempo real. Equipamentos são instalados previamente no local e passam a ser controlados remotamente pelo profissional responsável pela transmissão.

Além de facilitar a logística, o modelo pode representar redução de custos para contratantes, principalmente quando envolve eventos realizados com frequência. “O custo cai assustadoramente, porque não preciso pegar carro, não preciso viajar, não preciso levar equipamento e trazer. São soluções que vêm para agregar e encurtar as distâncias”, avaliou.

Segundo Tannús, esse tipo de tecnologia ainda está em expansão, mas pode se tornar mais comum nos próximos anos, inclusive permitindo que profissionais de uma cidade prestem serviços para empresas e eventos realizados em outros municípios.

Inteligência artificial entra na rotina de produção

A inteligência artificial também passou a fazer parte do trabalho do produtor. Durante a entrevista, Tannús contou que utilizou recursos de IA para recuperar e melhorar uma gravação antiga do hino do Araxá Esporte Clube.

A proposta, segundo ele, não foi substituir a produção original, mas preservar suas características e melhorar a qualidade do material. “A inteligência artificial, na verdade, sabe tudo, mas é um cavalo descendo ribanceira abaixo, sem freio. Se você não tiver rédea, você vai”, comparou.

Para Tannús, o conhecimento técnico e a capacidade de direcionar a ferramenta continuam sendo fundamentais para obter bons resultados. “Você tem que ter um conhecimento muito grande para poder tirar dela aquilo que você precisa, mas sem tirar a sua essência”, afirmou.

Na produção musical, ele também utiliza recursos de inteligência artificial para agilizar determinadas etapas, mas afirma que mantém elementos humanos no processo criativo. “Quando sou procurado hoje para produzir um jingle, faço uso de alguns elementos da inteligência para acelerar o processo, mas jamais deixo de pegar o meu violão para compor, para cantar”, explicou.

Rádio e podcast podem coexistir

O crescimento dos podcasts também traz discussões sobre o futuro do rádio. Para Tannús, entretanto, os dois formatos não precisam competir. Na avaliação dele, o podcast inclusive recupera uma característica tradicional do rádio: a conversa informal e próxima do público. “O podcast é um programa de rádio. O que nós estamos fazendo aqui é um podcast, conversando entre amigos, com naturalidade, passando as nossas ideias”, disse.

Ele também destaca que o rádio mantém uma característica própria, especialmente pela possibilidade de acompanhar a programação enquanto o ouvinte realiza outras atividades. “Nada derrubou o rádio até hoje. Nem a televisão conseguiu”, afirmou.

A relação de Tannús com o rádio começou ainda na infância, influenciada pelo pai, que costumava acompanhar partidas de futebol pelo aparelho. A experiência ajudou a construir uma ligação com o meio que permanece mesmo diante das transformações provocadas pelas novas tecnologias.

Da música à produção audiovisual

A trajetória profissional de Alan Tannús também está ligada à música. Na década de 1980, ele integrou a banda Aves e posteriormente passou a atuar principalmente com produção musical, além de apresentações como músico.

Ao longo da carreira, participou de diferentes projetos de produção e gravação e trabalhou com profissionais e artistas de Araxá. Entre os trabalhos lembrados durante a entrevista está a produção do hino do Araxá Esporte Clube, gravado originalmente há quase quatro décadas.

Tannús também contou que chegou a trabalhar com jingles e produções publicitárias, atividade que teve grande espaço no mercado local antes da popularização das ferramentas digitais.

A experiência acumulada na música acabou servindo de base para a atuação atual no audiovisual. Segundo ele, apesar das mudanças tecnológicas, muitos dos conhecimentos necessários para uma boa produção permanecem os mesmos. “Eu vim do mercado de áudio, produção de bandas e tudo, mas tudo tem a mesma filosofia. Os programas têm a mesma forma de lidar”, explicou.

Inflação também esteve entre os assuntos do programa

Além da entrevista com Alan Tannús, o Conexão Imbiara – Economia e Negócios discutiu o cenário econômico brasileiro. Entre os temas esteve a inflação de julho, que ficou em 0,07%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado representou desaceleração em relação ao mês anterior. Em 12 meses, o IPCA acumulou 4,44%. A queda dos preços de alimentos contribuiu para o resultado, com recuo de 0,67% no grupo Alimentação e bebidas.

Entre os produtos que mais caíram estavam tomate, batata-inglesa, cenoura e café moído. O tomate teve queda de 29,09%, enquanto a batata recuou 19,59% e a cenoura, 14,41%.

Os dados oficiais podem ser consultados no informativo do IPCA divulgado pelo governo federal.

Apesar da desaceleração, o Banco Central mantém atenção sobre fatores que podem pressionar os preços nos próximos meses, entre eles os efeitos de condições climáticas sobre a produção e possíveis impactos das oscilações do petróleo.

Na reunião realizada em agosto, o Comitê de Política Monetária manteve a taxa Selic em 14% ao ano. As decisões e documentos relacionados à política monetária podem ser consultados na página oficial do Banco Central.

A discussão sobre inflação, juros e atividade econômica dividiu espaço no programa com a trajetória de Alan Tannús e as transformações vividas pelo mercado audiovisual. A avaliação apresentada pelo produtor é de que a tecnologia tende a ampliar as possibilidades de trabalho, mas o conhecimento profissional e a criatividade continuam sendo elementos centrais para transformar as novas ferramentas em resultados.