Dois pacientes aguardam vagas para atendimento especializado fora do município; familiares relatam preocupação com a demora e fazem apelo por transferência
Duas famílias de Araxá estão buscando a transferência de parentes internados na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município para hospitais de referência fora da cidade. Os casos envolvem pacientes com problemas neurológicos e, segundo os familiares, os pedidos de transferência vêm sendo realizados pela equipe médica da unidade, mas ainda não houve disponibilização de vagas.
Os relatos foram apresentados na última sexta-feira (14), durante entrevista à Rádio Imbiara. Em comum, as famílias afirmam estar preocupadas com a necessidade de atendimento especializado que não estaria disponível em Araxá e com a demora para conseguir uma vaga na rede hospitalar de referência.
A transferência de pacientes entre unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) é organizada por meio da regulação do acesso. De acordo com o Ministério da Saúde, as centrais de regulação são responsáveis por organizar o encaminhamento conforme a necessidade clínica, a disponibilidade de serviços e os protocolos estabelecidos. A gestão inclui a oferta de leitos, exames e procedimentos especializados.
Paciente está internada na sala vermelha
Uma das situações envolve Maura Rodrigues, que, segundo a sobrinha, Lilian Aparecida Valeriano, está internada na UPA desde a última terça-feira. A familiar afirma que Maura permanece na sala vermelha, intubada e utilizando medicamentos e aparelhos para manutenção das funções vitais.
Segundo Lilian, a equipe médica da UPA já teria encaminhado diversos pedidos para transferência, mas as solicitações não teriam sido atendidas. Ela afirma que os pedidos foram classificados para atendimento de urgência, porém teriam recebido negativas sob a justificativa de que o quadro da paciente estaria estável.
A sobrinha relata que Maura precisa passar por exames e, posteriormente, por um procedimento cirúrgico para tratar uma condição que estaria provocando aumento da pressão intracraniana. "Ela precisa fazer cirurgia urgentemente, ela está correndo risco de vida", afirmou Lilian durante a entrevista.
A familiar também destacou a mudança rápida no estado de saúde da tia. Segundo ela, Maura estava trabalhando normalmente até a semana anterior e não apresentava, na visão da família, problemas que indicassem a gravidade do quadro atual.
Marido aguarda transferência após diagnóstico de aneurisma
A segunda situação relatada envolve Carlos Manuel de Sousa Borges, de 30 anos. De acordo com a esposa, Anabelle dos Santos Rodrigues, ele passou mal na segunda-feira (16), sofreu um desmaio próximo à UPA e foi levado para atendimento.
Após exames realizados na unidade, incluindo uma tomografia de cabeça, a família foi informada de que o paciente apresentava um aneurisma e hemorragia intracraniana. Segundo Anabelle, ele precisa realizar um exame que não está disponível em Araxá, inclusive na rede particular, e por isso depende de transferência para outro município.
A esposa afirma que a equipe da UPA estaria buscando uma vaga, principalmente em hospitais de Uberaba, mas que até o momento não teria conseguido a transferência. "Eles toda hora falam que estão tentando vagas na cidade de Uberaba, mas que não tem leito", relatou.
Anabelle também contou que o marido permanece internado e apresenta confusão. O caso ganhou ainda um aspecto emocional para a família porque, segundo ela, Carlos completou 30 anos nesta segunda-feira enquanto permanece hospitalizado. "Ele é novo e está aqui acamado, sem saber o que está acontecendo, completamente confuso, sendo medicado toda hora", afirmou a esposa.
Regulação define encaminhamento para atendimento especializado
A espera por uma vaga hospitalar não depende exclusivamente da unidade onde o paciente está internado. No SUS, o acesso a serviços especializados e leitos é organizado pela regulação, que considera informações clínicas, disponibilidade da rede e critérios de prioridade.
A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais explica que as centrais de regulação atuam na busca de leitos e na organização das transferências inter-hospitalares, utilizando protocolos e classificações de risco. Segundo dados divulgados pelo órgão, somente em 2023 foram registradas mais de 1,3 milhão de solicitações de internação no estado, incluindo mais de 79 mil pedidos de internação em UTI.
A Política Nacional de Regulação em Saúde, atualizada pelo Ministério da Saúde no fim de 2025, estabelece que as centrais devem organizar o acesso a leitos de urgência e internação e monitorar a ocupação dos serviços. A norma também prevê a articulação entre unidades para garantir o deslocamento de pacientes que necessitem de atendimento não disponível no local de origem.
No caso das duas famílias ouvidas pela Rádio Imbiara, os relatos apresentados são dos familiares e não houve, até o momento, manifestação da administração da UPA ou da Secretaria Municipal de Saúde no conteúdo da entrevista sobre os motivos específicos das negativas ou sobre a situação atual das solicitações.
As famílias pedem que os casos sejam considerados pelas autoridades responsáveis pela regulação e que os pacientes sejam encaminhados para unidades capazes de oferecer os exames e procedimentos necessários. "Hoje é a minha tia, amanhã pode ser a mãe de qualquer um de vocês", afirmou Lilian ao fazer um apelo por ajuda para conseguir a transferência da familiar.
Anabelle também pediu apoio diante da situação do marido. "Eu preciso de ajuda da população, quem puder me ajudar, por favor", declarou.
Em nota a Prefeitura informou sobre o caso:
A paciente, natural de Pratinha-MG, de 73 anos, encontra-se em atendimento na sala vermelha da UPA, aguardando transferência para unidade hospitalar de Alta Complexidade da região. O Município já solicitou, por três vezes, a modalidade de vaga zero à Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) e permanece aguardando a liberação de uma vaga para a transferência da paciente.