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Postado em: 02/03/2026 - 15:44 Última atualização: 02/03/2026 - 15:46
Por: Caio César - Portal Imbiara

Março Azul reforça prevenção ao câncer de intestino e destaca relação entre saúde intestinal e saúde mental

Campanha chama atenção para rastreamento a partir dos 45 anos e para hábitos que ajudam a prevenir a doença

Dr. João Sacramento nos estúdios da Rádio Imbiara 91,5 FM. Foto: Reprodução Facebook Rádio Imbiara FM

O mês de março é marcado pela campanha Março Azul, dedicada à conscientização e à prevenção do câncer de intestino, também conhecido como câncer colorretal. Durante participação no programa Imbiara Notícias, da Rádio Imbiara 91,5 FM, o médico psiquiatra Dr. João Sacramento falou, nesta segunda-feira (2), sobre a importância do diagnóstico precoce da doença e ampliou o debate ao abordar a relação entre o intestino e a saúde mental.

Segundo o especialista, o chamado eixo intestino-cérebro tem sido cada vez mais estudado pela ciência. O intestino é considerado o “segundo cérebro” do corpo humano por concentrar grande quantidade de neurônios e produzir cerca de 90% da serotonina do organismo. Apesar disso, ele esclarece que a serotonina produzida no intestino não atua diretamente no cérebro, devido à barreira hematoencefálica, mas existe uma comunicação constante entre os dois órgãos, principalmente por meio do nervo vago.

“Não é como se o intestino enviasse neurotransmissores para o cérebro, mas como se houvesse uma linha telefônica entre eles. Quando algo não vai bem no intestino, isso pode refletir no humor e no comportamento”, explicou.

O médico destacou que é comum que pacientes com transtornos de ansiedade apresentem sintomas gastrointestinais, como diarreia, constipação, náuseas e até vômitos. Isso ocorre devido à ativação do sistema nervoso autônomo, responsável pelas respostas de “luta ou fuga” em situações de estresse. Em casos de estresse crônico, além dos sintomas digestivos, pode haver alteração da microbiota intestinal — o conjunto de bactérias que vivem no intestino e auxiliam na digestão e na absorção de nutrientes. Estudos recentes investigam, inclusive, o uso de probióticos como aliados no tratamento de transtornos mentais, embora eles ainda não substituam medicamentos tradicionais, como antidepressivos e ansiolíticos.

Outro ponto abordado foi a síndrome do intestino irritável (SII), considerada um diagnóstico de exclusão, feito quando não são encontradas alterações orgânicas que expliquem os sintomas. A condição está frequentemente associada a quadros de ansiedade e depressão, reforçando a ligação entre saúde emocional e funcionamento intestinal. “O tratamento muitas vezes envolve psicoterapia e o uso de psicofármacos, o que demonstra como essa relação é integrada”, ressaltou.

 

Ao falar sobre o câncer de intestino, o médico alertou para sintomas que podem passar despercebidos, como sangue nas fezes — visível ou oculto —, alterações persistentes no hábito intestinal, como diarreia ou constipação, anemia sem causa aparente e perda de peso inexplicável. Entre os fatores de risco não modificáveis estão a idade acima de 45 anos, o histórico pessoal de pólipos ou câncer e o histórico familiar da doença. Já os fatores modificáveis incluem alimentação inadequada, obesidade, sedentarismo, tabagismo e consumo excessivo de álcool.

O consumo frequente de carnes vermelhas e processadas, como salsicha, bacon, presunto e outros embutidos, está associado ao aumento do risco. Por outro lado, uma dieta rica em fibras, frutas, legumes e vegetais atua como fator protetor. Atualmente, as principais sociedades médicas recomendam iniciar o rastreamento do câncer colorretal a partir dos 45 anos. Os exames incluem a pesquisa de sangue oculto nas fezes e a colonoscopia, considerada padrão-ouro para diagnóstico e prevenção.

Durante a colonoscopia, é possível identificar e retirar pólipos intestinais — lesões benignas que podem evoluir para câncer ao longo do tempo. Em pessoas com histórico familiar da doença, o rastreamento pode começar mais cedo, conforme orientação médica. Apesar de o custo do exame ser considerado elevado por alguns pacientes, o médico reforçou que a estrutura necessária para sua realização envolve equipe especializada e equipamentos de suporte, o que justifica o valor. “Quando colocado na ponta do lápis, é muito mais acessível do que tratar um câncer em estágio avançado”, afirmou.

Como orientação prática, o psiquiatra destacou que cuidar da saúde intestinal também é cuidar da saúde mental. Ele reforçou a importância da hidratação adequada — em média, entre dois e três litros de água por dia — e de uma alimentação baseada em fibras, com redução de alimentos ultraprocessados. “O intestino é a porta de entrada de quase tudo o que o nosso corpo utiliza para funcionar. Se queremos construir saúde mental, precisamos começar por uma base sólida, que inclui alimentação equilibrada e boa hidratação”, concluiu.

O médico participa quinzenalmente do programa para discutir temas relacionados à saúde física e mental, esclarecendo dúvidas dos ouvintes e promovendo informação de qualidade.