BEM BRASIL
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Postado em: 27/02/2026 - 17:33 Última atualização: 27/02/2026
Por: Manoelita Chagas - Portal Imbiara

Mutirão de cadastro domiciliar busca ampliar cobertura da atenção básica em Araxá

Atualização de dados ajuda a organizar políticas públicas de saúde e ampliar investimentos no município

O trabalho também envolve a população da zona rural, que recebe atendimento por meio de equipes itinerantes da estratégia de saúde rural. Foto: Caio César

A importância do Cadastro Domiciliar de Saúde e a mobilização para ampliar o número de moradores cadastrados foram temas de uma entrevista concedida na última quinta-feira (26) no estúdio da Rádio Imbiara. Participaram da conversa a coordenadora da Atenção Primária em Saúde de Araxá, Lidiane Souza, e a referência dos indicadores da Atenção Primária, Lídia Aparecida Fonseca, que explicaram como funciona o cadastramento e por que ele é considerado fundamental para a organização dos serviços de saúde.

Segundo Lidiane Souza, o cadastro é realizado pelas equipes das Estratégias Saúde da Família, por meio das visitas dos agentes comunitários às residências. “O agente comunitário de saúde vai até a casa do indivíduo e realiza o cadastro domiciliar e o cadastro individual de todos que moram ali. Com isso, o município consegue conhecer o seu território”, explicou. Ela destacou que as informações são enviadas ao Ministério da Saúde e ajudam a orientar políticas públicas, já que permitem identificar as necessidades da população. “Através desse cadastro, os dados são enviados ao Ministério da Saúde, que passa a conhecer a realidade de cada cidade e consegue projetar ações e investimentos, como medicamentos para hipertensos, diabéticos e programas voltados para gestantes”, acrescentou.

Atualmente o município possui cerca de 70 mil pessoas cadastradas, mas ainda existe uma parcela significativa da população fora do sistema. Por isso, a Secretaria de Saúde tem intensificado ações para ampliar essa cobertura. De acordo com Lidiane, “o intuito é fazer um mutirão para conseguir cadastrar 100% da população e conhecer melhor nosso território”, o que também pode ajudar no planejamento da expansão das equipes de saúde e na ampliação do acesso aos serviços.

A atualização dos dados também permite identificar as características de cada região da cidade e direcionar melhor as ações da saúde pública. Conforme explicou Lídia Aparecida Fonseca, conhecer o perfil da população ajuda a planejar políticas específicas para cada território. “A gente precisa conhecer realmente o perfil de toda a nossa população para direcionar as ações de saúde. Tem regiões com mais idosos, outras com mais crianças, e precisamos direcionar políticas públicas específicas para cada realidade”, afirmou. Ela também destacou que ainda existem dificuldades para alcançar alguns moradores, principalmente em prédios ou em situações em que as pessoas não estão em casa durante o dia. “A gente tem dificuldade de encontrar algumas pessoas em casa, principalmente em prédios, onde nem sempre os moradores aceitam a visita do agente. Também existem pessoas que não querem fazer o cadastramento”, explicou.

Outro ponto destacado durante a entrevista é que o cadastro influencia diretamente no planejamento e na captação de recursos para a saúde pública. Lidiane Souza explicou que parte dos investimentos destinados aos municípios leva em consideração o conhecimento do território e da população atendida. “O Ministério da Saúde envia uma parcela de recursos para a saúde pública e, a partir desse redimensionamento da territorialização, o município consegue ampliar a atenção básica”, disse. Segundo ela, essas informações também ajudam na organização de programas e serviços. “Isso permite programar exames, medicamentos e outros programas voltados para a população. É através desse cadastro que o governo federal consegue enxergar a população e direcionar investimentos”, completou.

Mesmo quando o agente comunitário ainda não visitou determinada residência, o cadastro pode ser feito diretamente na unidade de saúde mais próxima. Lídia Aparecida Fonseca orienta que os moradores procurem o serviço caso tenham dúvidas ou ainda não tenham sido cadastrados. “Mesmo que a pessoa não tenha recebido a visita do agente comunitário de saúde, orientamos que procure a unidade de saúde mais próxima da residência. A equipe está preparada para acolher e fazer o cadastramento”, afirmou.

Durante a visita, os profissionais solicitam algumas informações básicas dos moradores. Atualmente, o Ministério da Saúde utiliza o CPF como principal forma de identificação dos usuários do sistema. “Hoje o Ministério da Saúde identifica os usuários pelo CPF, então não tenham medo de passar essa informação para o agente de saúde”, explicou Lídia. Além dos dados pessoais, são realizados dois tipos de cadastro: o individual, que reúne informações sobre cada morador da casa, e o domiciliar, que analisa as condições da residência. “O cadastro individual permite identificar quem são os membros da família e se há hipertensos, diabéticos, gestantes ou crianças. Já o cadastro domiciliar analisa as condições da moradia, como rede de esgoto, água tratada e condições da caixa d’água”, destacou.

Para alcançar moradores que passam o dia fora de casa, as equipes de saúde têm realizado visitas em horários alternativos e também mutirões aos fins de semana. Segundo Lídia Fonseca, “as equipes têm se organizado para fazer visitas em horários estendidos, inclusive após as 17 horas, e também estamos realizando mutirões aos sábados para encontrar pessoas que trabalham durante a semana”.

O trabalho também envolve a população da zona rural, que recebe atendimento por meio de equipes itinerantes da estratégia de saúde rural. Lidiane Souza explicou que, apesar das dificuldades logísticas, o objetivo é alcançar todas as comunidades. “A população rural também será cadastrada. Existe uma equipe de estratégia de saúde rural que atende as comunidades com médico, enfermeiro e técnico de enfermagem”, disse. Ela ressaltou ainda que a ausência do cadastro não impede o atendimento. “O cadastro é uma forma de organizar o sistema, mas não impede o atendimento. A pessoa sem cadastro também pode ser atendida”, afirmou.

Ao final da entrevista, as representantes da Secretaria de Saúde reforçaram o pedido para que os moradores recebam os agentes comunitários e colaborem com o processo. Para Lídia Aparecida Fonseca, a participação da população é essencial para o planejamento das políticas públicas. “A gente faz um apelo à população para aceitar a visita dos agentes comunitários e das equipes. Esse cadastramento é fundamental para direcionar as políticas públicas de saúde no município”, disse. Já Lidiane Souza destacou que conhecer a realidade das famílias é o primeiro passo para melhorar os serviços oferecidos. “Essa organização é a única forma de conhecer o território e organizar uma saúde melhor para a população”, concluiu.