Com treinamento baseado em reforço positivo, cães do batalhão auxiliam na localização de drogas, armas e foragidos
O Canil da Polícia Militar em Araxá tem se consolidado como uma importante ferramenta estratégica nas ações de segurança pública do município e da região. Em entrevista ao programa Vida de Pet, da Rádio Imbiara 91,5 FM, o tenente Galvão, o sargento Giordano e o sargento Júnior explicaram como funciona a atuação dos cães policiais e detalharam o rigor técnico aplicado ao treinamento dos animais.
De acordo com o tenente Galvão, os cães atuam principalmente na localização de drogas e armas, na captura de foragidos e no apoio a operações de maior complexidade. “O cão é considerado um soldado dentro da corporação. Ele amplia nossa capacidade operacional e reduz os riscos para a equipe”, afirmou o oficial.
O sargento Giordano destacou que o trabalho também inclui varreduras para o cumprimento de mandados de busca e apreensão, além de apoio em operações conjuntas com outras unidades. Segundo ele, a presença do cão aumenta significativamente a eficiência das buscas, especialmente em locais onde o material ilícito está oculto em compartimentos improvisados.
Já o sargento Júnior explicou que o adestramento é baseado em técnica e reforço positivo. “O cão não tem contato direto com a droga. Ele associa o odor ao brinquedo de recompensa, geralmente uma bolinha. Quando encontra o cheiro para o qual foi treinado, faz a indicação e aguarda o prêmio”, detalhou. O treinamento começa ainda quando o animal é filhote, por volta dos 45 dias de vida, com estímulos de socialização, superação de obstáculos, exposição a diferentes ambientes e desenvolvimento do chamado “drive de caça”, que é o impulso natural de busca.
Atualmente, o canil conta com cães das raças Pastor Belga Malinois e Pastor Holandês. Conforme informou o tenente Galvão, dois exemplares da raça Pastor Alemão deverão integrar a equipe ainda neste ano. As três raças são amplamente utilizadas por forças policiais devido à resistência física, inteligência e equilíbrio comportamental. O Pastor Belga Malinois, em especial, é considerado um dos mais empregados mundialmente em operações policiais, em razão da alta energia e do desempenho.
Os militares relataram ocorrências em que armas e entorpecentes foram encontrados em locais de difícil acesso, como compartimentos ocultos em veículos e móveis. Segundo o sargento Giordano, em buscas domiciliares todo o procedimento segue rigorosamente a legislação. “Primeiro é feita a leitura do mandado, com a presença de testemunhas. Também realizamos uma vistoria prévia para garantir a segurança do animal e da equipe. Só depois o cão é empregado na varredura”, explicou.
Sobre a confiabilidade do trabalho, o sargento Júnior ressaltou que a margem de erro é extremamente baixa. Pode haver indicação de odor residual; no entanto, quando há material ilícito, o comportamento do cão é claro e consistente, conforme os treinamentos realizados diariamente.
Após cerca de 10 anos de serviço, os cães entram em aposentadoria compulsória. De acordo com o tenente Galvão, a prioridade de adoção é do próprio condutor, desde que ele comprove condições adequadas de cuidado, alimentação e acompanhamento veterinário. A corporação também possui normas internas que preveem sanções administrativas em casos de maus-tratos, reforçando o compromisso com o bem-estar animal.
Além da atuação na segurança pública, os cães também desempenham papel fundamental em ações de busca e salvamento, a exemplo das operações realizadas pelo Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais em áreas atingidas por desastres. Para os militares entrevistados, a integração entre técnica, vínculo e confiança entre condutor e animal é determinante para o sucesso das operações.
O trabalho silencioso desses “soldados de quatro patas”, como definiram os entrevistados, demonstra que, na segurança pública moderna, a tecnologia e o preparo humano caminham lado a lado com o faro apurado e a lealdade canina.

Tenente Galvão, Sargento Júnior, Sargento Giordano e Soldado Leandro nos estúdios da Rádio Imbiara. Foto: Caio César/Portal Imbiara