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Postado em: 22/07/2026 - 16:56 Última atualização: 22/07/2026
Por: Caio César/Natália Fernandes/Carlos Nunes - Portal Imbiara

Fome mundial atinge 645 milhões de pessoas, aponta relatório da ONU

Levantamento mostra redução pelo terceiro ano consecutivo, mas alerta que milhões ainda vivem em situação de insegurança alimentar, especialmente na África

Organismos internacionais defendem mais investimentos e políticas públicas para garantir alimentação saudável à população mundial. Foto: Imagem gerada por IA

A população mundial em situação de fome apresentou queda pelo terceiro ano consecutivo em 2025, mas ainda atinge cerca de 645 milhões de pessoas, o equivalente a 7,8% da população global. Os dados fazem parte do relatório Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo 2026, divulgado pelas Nações Unidas.

Em relação a 2024, houve uma redução de aproximadamente 14 milhões de pessoas em situação de fome. Na comparação com 2022, a diminuição chega a 43 milhões. Apesar do avanço, os organismos internacionais alertam que o mundo ainda está distante da meta de erradicar a fome até 2030.

O relatório foi elaborado em conjunto pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA), Organização Mundial da Saúde (OMS), Programa Mundial de Alimentos (PMA) e Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

Segundo o documento, embora a fome tenha diminuído em escala global, a recuperação ocorre de forma desigual entre os continentes. Ásia, América Latina e Caribe registraram melhorias graduais nos últimos anos, enquanto a África continua concentrando o maior número de pessoas em situação de fome.

No continente africano, estima-se que uma em cada cinco pessoas tenha enfrentado a fome em 2025, totalizando cerca de 309 milhões de pessoas. O relatório também destaca que aproximadamente 150 milhões de crianças menores de cinco anos sofrem com atraso no crescimento relacionado à desnutrição, problema que afeta principalmente países africanos.

Outro ponto abordado pelo estudo é o acesso à alimentação saudável. Embora o número de pessoas incapazes de pagar por uma dieta adequada tenha caído de 2,97 bilhões para 2,69 bilhões, o custo dos alimentos nutritivos ainda representa um dos maiores obstáculos para a segurança alimentar mundial.

Na África, 66,6% da população não consegue arcar com os custos de uma alimentação considerada saudável, percentual mais que o dobro do registrado na Ásia, América Latina e Caribe.

Representantes das Nações Unidas reforçam que acabar com a fome depende de compromisso político, investimentos contínuos e fortalecimento das políticas públicas, voltadas ao combate à pobreza, à desigualdade e à promoção da segurança alimentar.

O relatório integra o monitoramento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, que estabelecem como meta a erradicação da fome e da desnutrição em todo o mundo até 2030. Apesar dos avanços registrados nos últimos anos, as entidades afirmam que será necessário acelerar os esforços internacionais para que esse objetivo seja alcançado.