BEM BRASIL
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Postado em: 03/09/2026 - 09:45 Última atualização: 03/09/2026
Por: Rogério Farah - Portal Imbiara

Campanha Setembro Amarelo

Números revelam que prevenção ao suicídio precisa ser compromisso de todos

Falar sobre suicídio de maneira responsável não incentiva o problema. Foto: Imagem gerada por IA

Mais uma vez, a campanha Setembro Amarelo chega novamente ao calendário brasileiro, como um importante período de conscientização sobre a prevenção do suicídio, um problema de saúde pública que ultrapassa diferenças de idade, condição econômica ou origem social. Embora o tema ainda seja cercado por preconceito, silêncio e desinformação, o Ministério da Saúde ressalta que o suicídio pode ser prevenido, especialmente quando sinais de sofrimento são reconhecidos e a pessoa recebe ajuda adequada.

Os números ajudam a dimensionar a gravidade do problema: segundo dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) analisados em estudo publicado em 2026, o Brasil passou de 10.533 mortes por suicídio em 2013 para 16.462 em 2022, ou seja, um aumento de 55,35% no período. Dados mais recentes consolidados a partir do SIM, apontam 17.002 mortes em 2023 e 16.751 em 2024, indicando que, apesar da pequena redução entre os dois últimos anos, o país permanece diante de uma realidade extremamente preocupante.

Outro aspecto importante é o perfil das vítimas: os homens apresentam mortalidade significativamente superior à das mulheres: no período analisado pelo estudo nacional, a taxa masculina chegou a ser 3,63 vezes maior que a feminina, enquanto a maior concentração de ocorrências foi observada entre adultos de 20 a 39 anos.

Também no Estado de Minas Gerais, o problema merece atenção especial. Conforme os dados do Atlas da Violência 2025, elaborado pelo Ipea em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública a partir dos dados do Ministério da Saúde, mostra que, entre crianças e adolescentes de 10 a 19 anos, a taxa mineira de suicídio passou de 2,0 por 100 mil habitantes em 2013 para 3,4 em 2023, embora tenha apresentado redução em relação aos 4,0 registrados em 2022. No território mineiro, somente em 2023 foram contabilizados 93 suicídios na faixa etária de 10 a 19 anos, demonstrando que a prevenção precisa alcançar também escolas, famílias, serviços de saúde e espaços de convivência dos jovens.

Portanto, essa importante campanha, não deve ser entendida como uma ação limitada a setembro, mas como oportunidade para fortalecer durante todo o ano uma cultura de escuta, acolhimento e procura por ajuda profissional. A Organização Pan-Americana da Saúde e a OMS defendem estratégias abrangentes de prevenção, enquanto o Ministério da Saúde destaca que identificar mudanças de comportamento, sofrimento intenso, desesperança ou manifestações relacionadas à morte e procurar ajuda pode ser decisivo.

Falar sobre suicídio de maneira responsável não incentiva o problema. Ao contrário, o silêncio, o estigma e a falta de acesso à ajuda é que podem dificultar sua prevenção. Mais do que nunca, a Campanha Setembro Amarelo propõe como receita muito simples: escutar sem julgar, acolher sem preconceito e encaminhar para ajuda especializada pode salvar uma vida, reforçando o lema do CVV -  Centro de Valorização da Vida que, no Brasil, atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia.