A principal forma de infecção está relacionada ao consumo de alimentos contaminados e reforça que a convivência com gatos é segura quando há cuidados de higiene
Um dos principais mitos envolvendo a saúde dos gatos foi esclarecido durante o programa Vida de Pet. A médica-veterinária Dra. Letícia Cardoso explicou que, ao contrário do que muitas pessoas acreditam, os gatos não são os principais responsáveis pela transmissão da toxoplasmose aos seres humanos.
De acordo com informações da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e do Manual de Prevenção da Toxoplasmose trazidas pelo jornalista Alex Sander Xexéu, a infecção ocorre, principalmente, pelo consumo de carnes cruas ou malcozidas, água contaminada e frutas, verduras e legumes mal higienizados.
Embora os felinos sejam os hospedeiros definitivos do protozoário Toxoplasma gondii, a transmissão para humanos depende de uma série de condições. O gato precisa estar infectado, eliminar o parasita nas fezes por um curto período e, além disso, os oocistos presentes nas fezes precisam permanecer no ambiente entre um e cinco dias para se tornarem infectantes.
A veterinária ressaltou que o simples convívio com gatos não representa risco de transmissão da doença. "Para uma pessoa contrair toxoplasmose pelo gato, é necessário ter contato direto com fezes contaminadas e não realizar a higienização adequada das mãos. Isso torna a transmissão muito difícil para adultos que mantêm hábitos de higiene", explicou.
Segundo a especialista, alguns grupos exigem atenção especial, como crianças pequenas, que costumam levar objetos à boca com maior frequência, além de gestantes, idosos e pessoas imunossuprimidas, que apresentam maior vulnerabilidade às complicações da doença.
Entre as principais medidas de prevenção estão cozinhar bem as carnes, higienizar corretamente frutas, verduras e legumes, consumir água tratada, manter a caixa de areia dos gatos sempre limpa e alimentar os animais apenas com ração ou carnes devidamente cozidas, evitando alimentos crus.
A veterinária também destacou que não existe recomendação para abandonar ou doar gatos durante a gestação, prática que era comum no passado. Segundo ela, com cuidados básicos de higiene e acompanhamento médico e veterinário, a convivência com os felinos é considerada segura, permitindo que gestantes e suas famílias mantenham os animais de estimação sem riscos adicionais.