Dados do IBGE mostram crescimento das famílias lideradas por mulheres; especialistas alertam para importância da contribuição ao INSS entre donas de casa de baixa renda
As mulheres passaram a ocupar, nos últimos anos, um papel cada vez mais central na estrutura das famílias brasileiras. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que quase metade dos domicílios do país já é chefiada por mulheres, cenário que evidencia mudanças sociais importantes, mas também reforça desafios econômicos enfrentados principalmente pelas mães solo. Nesse contexto, especialistas destacam a importância da proteção previdenciária para garantir segurança financeira no futuro.
Segundo o Censo Demográfico de 2022, cerca de 49,1% dos lares brasileiros — o equivalente a aproximadamente 36 milhões de domicílios — têm mulheres como responsáveis principais. Levantamentos mais recentes, baseados em dados da PNAD Contínua, indicam que esse percentual já ultrapassa 51% em 2024, representando mais de 41 milhões de mulheres à frente das famílias no país.
Entre esses lares, cresce também o número de famílias monoparentais femininas, formadas por mães que vivem sozinhas com os filhos. Em 2022, aproximadamente 16,5% dos domicílios brasileiros estavam nessa condição. Os dados ainda mostram que cerca de 30% dos lares chefiados por mulheres são compostos por mães solo.
Desigualdade de renda e vulnerabilidade
Apesar do avanço da autonomia feminina, a realidade econômica dessas famílias ainda é marcada por desigualdades. Estudos apontam que mães solo enfrentam maior vulnerabilidade financeira e podem receber rendimentos mais de 40% inferiores aos dos homens em situações equivalentes.
Além disso, muitas mulheres deixam o mercado de trabalho para se dedicar exclusivamente aos cuidados da casa e dos filhos, especialmente em famílias de baixa renda. Esse cenário integra o fenômeno conhecido como “feminização da pobreza”, quando mulheres ficam mais expostas à insegurança econômica e à falta de proteção social.
Contribuição reduzida ao INSS
Para ampliar a inclusão previdenciária desse público, a legislação brasileira permite que donas de casa sem renda própria contribuam para o INSS como seguradas facultativas de baixa renda.
Para ter acesso à modalidade, é necessário não exercer atividade remunerada, dedicar-se exclusivamente ao trabalho doméstico, possuir renda familiar de até dois salários mínimos e estar inscrita no CadÚnico, cadastro utilizado pelo Governo Federal para programas sociais.
Em 2026, a contribuição mensal prevista é de aproximadamente R$ 81,05, valor equivalente a 5% do salário mínimo. O modelo é considerado uma alternativa mais acessível para mulheres em situação de vulnerabilidade social.
Aposentadoria e benefícios garantidos
A contribuição garante acesso à aposentadoria por idade, desde que sejam cumpridos os requisitos mínimos estabelecidos pelo INSS: idade mínima de 62 anos e pelo menos 15 anos de contribuição.
Além da aposentadoria, as seguradas também podem ter acesso a benefícios como auxílio por incapacidade temporária, aposentadoria por incapacidade permanente, salário-maternidade e pensão por morte para dependentes. Nessa modalidade, os pagamentos são limitados ao valor de um salário mínimo.
Especialistas reforçam que a regularização da contribuição previdenciária é fundamental para garantir proteção social e evitar dificuldades financeiras no futuro, especialmente entre mulheres que assumem sozinhas o sustento e os cuidados da família.
Mais informações sobre contribuições e benefícios podem ser obtidas pela Central da Previdência Social, no telefone 135, com atendimento de segunda a sábado, das 7h às 22h.