BEM BRASIL
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Postado em: 25/03/2026 - 16:49 Última atualização: 25/03/2026 - 16:51
Por: Manoelita Chagas - Portal Imbiara

IBGE aponta avanço de problemas de saúde mental entre adolescentes no Brasil

Pesquisa nacional revela aumento de tristeza, irritação e pensamentos negativos entre estudantes de 13 a 17 anos

Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSe). Foto: Licença Creative Commons/Pexels

Uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) acendeu um alerta sobre a saúde mental de adolescentes brasileiros. O levantamento, realizado em 2024 com mais de 118 mil estudantes de escolas públicas e privadas, mostra que três em cada dez jovens entre 13 e 17 anos se sentem tristes com frequência, enquanto proporção semelhante afirma já ter tido vontade de se machucar.

Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSe), que avalia aspectos da saúde e do comportamento de estudantes em todo o país. O estudo é considerado representativo e evidencia um cenário preocupante, com impactos emocionais significativos na rotina dos adolescentes.

Sentimentos negativos em alta

Além da tristeza recorrente, 42,9% dos estudantes relataram se sentir irritados, nervosos ou mal-humorados por qualquer motivo. Outro dado que chama atenção é que 18,5% disseram pensar, com frequência, que a vida não vale a pena ser vivida.

A pesquisa também revela um sentimento de desamparo entre parte dos jovens: 26,1% afirmaram sentir constantemente que ninguém se preocupa com eles, enquanto mais de um terço acredita que pais ou responsáveis não compreendem seus problemas.

Falta de suporte nas escolas

Apesar do cenário, menos da metade dos estudantes frequenta escolas que oferecem algum tipo de apoio psicológico. A desigualdade é evidente entre as redes de ensino: 58,2% dos alunos da rede privada têm acesso a esse suporte, contra 45,8% na rede pública.

A presença de profissionais de saúde mental nas instituições é ainda mais limitada, alcançando apenas 34,1% dos estudantes, o que reforça a necessidade de políticas públicas voltadas ao atendimento psicológico no ambiente escolar.

Diferenças entre meninas e meninos

Os dados apontam que as meninas são mais afetadas em todos os indicadores analisados. Entre elas, 41% relataram tristeza frequente, mais que o dobro dos meninos (16,7%). A vontade de se machucar também é maior entre as alunas (43,4%), em comparação com 20,5% dos estudantes do sexo masculino.

O mesmo padrão se repete em outros aspectos, como irritação constante, pensamentos negativos sobre a vida e percepção de falta de apoio familiar.

Casos de autoagressão e bullying

O IBGE estima que cerca de 100 mil estudantes tiveram algum tipo de lesão autoprovocada nos 12 meses anteriores à pesquisa. Entre esses jovens, os indicadores de sofrimento emocional são ainda mais elevados: 73% relatam tristeza constante e 62% dizem não ver sentido na vida.

Outro fator associado é o bullying, citado por 69,2% dos adolescentes que sofreram autoagressões, evidenciando a relação entre violência escolar e saúde mental.

Insatisfação com a própria imagem

A pesquisa também identificou queda na satisfação com a aparência física. Em 2019, 66,5% dos estudantes estavam satisfeitos com a própria imagem; em 2024, esse número caiu para 58%.

Entre as meninas, a insatisfação é mais acentuada: mais de um terço não está contente com a própria aparência, e 31% afirmam estar tentando perder peso, mesmo que apenas 21% se considerem acima do peso.

Onde buscar ajuda

Diante do cenário, o Ministério da Saúde reforça a importância de procurar apoio em momentos de sofrimento emocional. Conversar com familiares, amigos ou educadores pode ser o primeiro passo, além de buscar atendimento em unidades de saúde.

Serviços como os Centros de Atenção Psicossocial (Caps), Unidades Básicas de Saúde, UPAs e hospitais estão disponíveis para acolhimento. Também é possível buscar apoio gratuito no Centro de Valorização da Vida (CVV), pelo telefone 188 ou por atendimento online 24 horas.

Os dados da PeNSe reforçam a urgência de ampliar políticas públicas voltadas à saúde mental de adolescentes, especialmente no ambiente escolar, e de fortalecer redes de apoio para enfrentar um problema que afeta milhões de jovens em todo o país.