Postado em: 22/10/2026 - 14:26 Última atualização: 22/10/2026
Por: Alex Sander Xexéu - Portal Imbiara

Disputa pela presidência da Assembleia de Minas ganha força com articulação entre partidos para 2027

PL apoia Doorgal Andrada, enquanto PT busca espaço na Mesa Diretora; eleição exige pelo menos 39 votos

Assembléia Legislativa de Minas Gerais. Foto: ALMG

A disputa pela presidência da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) já movimenta os bastidores do Legislativo estadual. A pouco mais de três meses da eleição da Mesa Diretora, prevista para fevereiro de 2027, partidos articulam candidaturas e alianças para definir quem sucederá Tadeu Leite (MDB) no comando da Casa.

O cenário é marcado pela nova composição parlamentar e pela necessidade de construir maioria entre os 77 deputados estaduais. Embora o Partido Liberal (PL) tenha conquistado a maior bancada nas eleições de 2026, com 21 cadeiras, a legenda precisará do apoio de outras siglas para eleger o próximo presidente.

O PL anunciou apoio ao deputado estadual Doorgal Andrada (PP). O deputado Bruno Engler (PL), o mais votado de Minas Gerais neste ano, com 675.940 votos, chegou a confirmar interesse em disputar a presidência, mas recuou na noite de terça-feira (20).

A movimentação ocorre em meio à reta final do segundo turno da eleição presidencial e às articulações em torno do futuro governo de Cleitinho Azevedo (Republicanos), eleito governador de Minas Gerais ainda no primeiro turno.

PT também quer espaço na Mesa Diretora

O Partido dos Trabalhadores (PT), que elegeu 15 deputados estaduais, também pretende participar das negociações para a composição da próxima Mesa Diretora. A legenda ampliou sua bancada em uma cadeira em relação à atual legislatura.

A deputada Beatriz Cerqueira, segunda mais votada no estado, com 328.402 votos, avalia que o crescimento do PL não garante ao partido o controle da Assembleia. Entre os nomes do PT cotados para ocupar cargos na direção da Casa estão Ulysses Gomes, líder de bloco parlamentar, Leninha, atual vice-presidente, e Macaé Evaristo, deputada reeleita.

Beatriz afirmou que a bancada petista tem condições de disputar espaço na composição. Sobre uma eventual candidatura própria à presidência, ela destacou que sua atuação está mais concentrada nas comissões parlamentares. A deputada também avaliou que as negociações devem ganhar intensidade após o segundo turno presidencial.

Nova composição muda o equilíbrio de forças

A cientista política Luciana Santana avalia que o resultado das eleições ampliou a capacidade de articulação do PL na Assembleia. O partido passou de 12 para 21 deputados, enquanto o PSD reduziu sua representação de 14 para nove cadeiras.

Apesar do crescimento, a especialista ressalta que a maior bancada não garante o controle da Casa. Para conquistar a presidência, os candidatos precisarão construir alianças com parlamentares de diferentes partidos e considerar interesses regionais, além da relação política com o governo estadual.

A eleição exige pelo menos 39 votos para a escolha do presidente, o que torna as negociações fundamentais para definir o resultado. A capacidade de reunir apoio para além da própria legenda deve ser um dos principais fatores para determinar quem comandará o Legislativo mineiro.

Eleição será em fevereiro de 2027

A eleição da Mesa Diretora está prevista para fevereiro de 2027, no primeiro ano da nova legislatura. O mandato tem duração de dois anos, com início em 1º de fevereiro.

A presidência da ALMG tem papel estratégico na condução dos trabalhos parlamentares, na organização da pauta de votações e na definição do ritmo das atividades legislativas. A composição da Mesa também influencia a distribuição de espaços políticos dentro da Assembleia.

Com o avanço das articulações, a disputa deve se intensificar nos próximos meses, especialmente após a conclusão do segundo turno presidencial. Até lá, partidos e deputados terão de negociar apoios para formar a maioria necessária e definir o comando do Legislativo mineiro a partir de 2027.