Monitoramento eletrônico passou de 610 para 1.226 vítimas protegidas entre agosto de 2025 e setembro de 2026; a maioria está na Região Metropolitana de Belo Horizonte
O número de mulheres protegidas pelo botão do pânico em Minas Gerais dobrou em pouco mais de um ano. De acordo com dados divulgados pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), o total de vítimas monitoradas por meio das Unidades Portáteis de Rastreamento (UPRs) passou de 610, em agosto de 2025, para 1.226, em setembro de 2026.
O equipamento é utilizado como uma ferramenta de proteção para mulheres em situação de violência doméstica, especialmente aquelas que possuem medidas protetivas de urgência. O mecanismo permite o monitoramento e auxilia na prevenção de novos episódios de violência, incluindo casos que podem evoluir para o feminicídio.
Do total de 1.226 mulheres protegidas em setembro deste ano, 762 estavam vinculadas à Região Metropolitana de Belo Horizonte, enquanto 464 residiam no interior de Minas Gerais. Os números mostram que a política pública está mais concentrada na região da capital mineira, embora também esteja presente em outras localidades do Estado.
A ampliação do monitoramento integra uma estratégia de atuação coordenada entre as instituições responsáveis pela avaliação de riscos, fiscalização do monitoramento eletrônico e aplicação das medidas de proteção às vítimas. A iniciativa conta com a articulação do Ministério Público e de outros órgãos envolvidos no enfrentamento à violência contra a mulher.
Pedido de ajuda disfarçado de ligação para a polícia
A importância dos mecanismos de proteção e da denúncia também foi evidenciada em um caso registrado em São Bernardo do Campo, na Região Metropolitana de São Paulo. Uma mulher que sofria ameaças do ex-companheiro conseguiu pedir ajuda à Polícia Militar disfarçando a ligação como um pedido de pizza.
Durante a chamada, a vítima forneceu o endereço e pediu para ser avisada quando a suposta entrega estivesse chegando. Os policiais perceberam que se tratava de um pedido de socorro e foram até o local.
Segundo as informações divulgadas sobre a ocorrência, o homem havia levado o filho do ex-casal, um bebê de três meses, para outra residência. A criança foi encontrada sozinha sobre uma cama, com roupas cobrindo o rosto e comprometendo a respiração. Os policiais conseguiram resgatar o bebê e prender o suspeito.
O caso reforça a importância de reconhecer sinais de violência e oferecer meios seguros para que as vítimas consigam buscar ajuda, inclusive em situações nas quais não podem falar abertamente sobre o que está acontecendo.
Denúncias são fundamentais
Embora o aumento do número de mulheres protegidas pelo monitoramento eletrônico represente uma ampliação da cobertura da política pública, a violência doméstica continua sendo um desafio para as autoridades e para a sociedade.
A orientação é que mulheres vítimas de ameaças, agressões ou outras formas de violência procurem ajuda. Em situações de emergência, a Polícia Militar pode ser acionada pelo telefone 190. Também é possível buscar orientação e denunciar casos de violência contra a mulher pelo Ligue 180.
A atuação integrada das forças de segurança, do sistema de Justiça e dos órgãos de proteção, aliada à conscientização e à denúncia, é fundamental para ampliar a segurança das vítimas e prevenir novos casos de violência.