Valor das cargas confiscadas é 11 vezes maior que o registrado no mesmo período de 2025
As apreensões de medicamentos para emagrecimento comercializados de forma irregular em Minas Gerais somaram R$ 893 mil no primeiro semestre de 2026, segundo dados da Receita Federal. O valor estimado das cargas apreendidas entre janeiro e junho é cerca de 11 vezes superior ao registrado no mesmo período de 2025, quando os produtos confiscados foram avaliados em R$ 78.862.
Os números mostram o avanço do comércio ilegal de medicamentos conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”, que incluem substâncias como semaglutida e tirzepatida. Os produtos apreendidos não tinham registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e, portanto, não passaram pelos procedimentos de controle e fiscalização exigidos para medicamentos comercializados legalmente no país.
Além da estimativa da Receita Federal, dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) mostram a dimensão do problema nas estradas mineiras. Entre 1º de janeiro e 31 de maio de 2026, foram apreendidas 202 canetas emagrecedoras e 655 ampolas sem registro da Anvisa durante fiscalizações realizadas em rodovias que cortam Minas Gerais.
Apreensão na BR-262
Um dos casos registrados neste ano ocorreu na BR-262, em Juatuba, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Durante uma fiscalização, a PRF apreendeu 196 ampolas que, segundo as informações divulgadas, continham substâncias como semaglutida e tirzepatida.
Um homem de 40 anos foi preso durante a ocorrência. A carga teria origem no Paraguai e era transportada de maneira irregular, evidenciando também a entrada de medicamentos de procedência estrangeira no mercado clandestino.
A apreensão ocorreu em um cenário de aumento da procura por medicamentos utilizados no tratamento da obesidade e do diabetes. A popularização das chamadas canetas emagrecedoras, associada à expectativa de perda rápida de peso, ampliou a demanda por esses produtos e também criou espaço para a venda de versões sem procedência conhecida.
Risco vai além da falta de registro
O problema do comércio ilegal não está apenas na ausência de autorização para venda. Medicamentos biológicos, como a semaglutida e a tirzepatida, dependem de processos rigorosos de fabricação, armazenamento, transporte e controle de qualidade para garantir que a substância administrada ao paciente corresponda ao que está indicado na embalagem.
Entidades médicas, entre elas a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), alertam para os riscos relacionados a produtos de origem desconhecida ou manipulados de forma irregular.
Entre os problemas possíveis estão diferenças na concentração do princípio ativo, contaminação durante a fabricação ou manipulação, armazenamento inadequado e até a presença de substâncias diferentes das anunciadas. Nessas situações, o consumidor não tem a mesma garantia de segurança, eficácia e qualidade oferecida por um medicamento regularizado.
As entidades também chamam atenção para a comercialização de produtos clandestinos como alternativas mais baratas aos medicamentos aprovados. O preço inferior, no entanto, não significa que o produto tenha os mesmos efeitos ou ofereça a mesma segurança de um medicamento regularizado.
Uso deve ter acompanhamento profissional
A semaglutida e a tirzepatida são substâncias utilizadas em tratamentos específicos e não devem ser encaradas apenas como produtos para emagrecimento rápido. A indicação depende da avaliação individual do paciente, considerando histórico clínico, condições de saúde, medicamentos utilizados e possíveis contraindicações.
A recomendação é que medicamentos para tratamento da obesidade ou do diabetes sejam adquiridos em estabelecimentos autorizados e utilizados somente com orientação de profissional de saúde. A compra por canais informais, redes sociais ou vendedores sem autorização aumenta o risco de aquisição de produtos falsificados, adulterados, sem registro ou armazenados de maneira inadequada.
Os dados da Receita Federal e da PRF reforçam o crescimento das apreensões em Minas Gerais e a necessidade de atenção por parte dos consumidores diante da oferta de medicamentos para emagrecimento fora dos canais regulares de comercialização.