Apresentadores da Rádio Imbiara destacaram que muitos crimes são precedidos por ameaças e agressões
Três casos de violência contra mulheres registrados em menos de 24 horas em Belo Horizonte reacenderam o alerta para o feminicídio em Minas Gerais. Uma mulher foi arremessada do terceiro andar de um prédio pelo companheiro; uma policial militar morreu após ser levada ao hospital pelo próprio marido; e outra mulher foi encontrada morta dentro do apartamento onde morava, dias depois de desaparecer. Apenas uma das vítimas sobreviveu.
Durante o programa Imbiara Notícias, da Rádio Imbiara 91,5 FM, nesta quarta-feira (22), o apresentador Carlos Nunes destacou que os episódios não representam casos isolados, mas refletem uma realidade persistente em todo o estado.
Segundo dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), contabilizados pela Polícia Civil, Minas Gerais registrou, entre janeiro e maio deste ano, 148 casos de feminicídio consumado ou tentado, apenas um a menos que no mesmo período do ano passado. Embora o número de feminicídios consumados tenha reduzido de 70 para 63, as tentativas aumentaram de 79 para 85.
“Isso significa que, em média, uma mulher é morta a cada dois dias e sete horas simplesmente por ser mulher, quase sempre dentro de relações marcadas por violência doméstica, controle, ciúmes ou sentimento de posse”, ressaltou Carlos Nunes durante a apresentação.
Os dados mostram ainda que Minas Gerais nunca registrou menos de 149 feminicídios em um único ano desde 2019. O maior número ocorreu em 2023, quando 186 mulheres foram assassinadas por razões de gênero.
Ciclo da violência
A apresentadora Natália Fernandes chamou a atenção para o fato de que a maioria das vítimas já havia sofrido algum tipo de violência antes do crime.
“Apesar dos avanços da legislação, os números continuam preocupantes e mostram que muitas mulheres já haviam sofrido ameaças, agressões ou outras formas de violência antes mesmo do feminicídio. O enfrentamento passa pela prevenção e pelo acolhimento”, afirmou.
Ela explicou que a violência doméstica costuma seguir um ciclo. Inicialmente, surgem ameaças, humilhações, controle da rotina e isolamento da vítima. Em seguida, podem ocorrer agressões físicas, psicológicas, morais, patrimoniais ou sexuais. Depois vem a chamada “fase da lua de mel”, quando o agressor pede perdão, promete mudar e demonstra carinho, levando muitas mulheres a permanecerem no relacionamento.
“Sem ajuda e sem intervenção, esse ciclo tende a se repetir e, muitas vezes, de forma cada vez mais grave, podendo terminar em feminicídio”, alertou.
Sinais de alerta
Natália Fernandes também destacou que nem toda violência deixa marcas físicas.
“Controlar o celular, impedir que a mulher saia de casa, afastá-la da família e dos amigos, controlar o dinheiro ou fazê-la acreditar que não conseguirá viver sem o companheiro também são formas de violência”, explicou.
Segundo ela, um dos principais sinais de alerta é quando o parceiro tenta afastar a mulher do convívio social.
“Se o companheiro faz você perder o contato com familiares e amigos, desqualifica as pessoas próximas ou tenta controlar todos os seus relacionamentos, esse já é um forte indicativo de que é preciso buscar uma saída.”
Denúncia pode salvar vidas
Durante o programa, Carlos Nunes também lembrou que muitos casos permanecem ocultos porque as vítimas sofrem pressão psicológica, medo e ameaças.
“Muitas mulheres deixam de registrar boletim de ocorrência por medo, dependência financeira ou emocional e pelas ameaças feitas pelos próprios agressores.”
Para Natália Fernandes, romper esse ciclo é fundamental não apenas para proteger a mulher, mas também os filhos que convivem com a violência.
“Buscar ajuda, criar uma rede de apoio e denunciar pode salvar vidas. Nenhuma mulher deve permanecer em um relacionamento abusivo por medo ou por acreditar que o agressor vai mudar. Preservar a própria vida é sempre a prioridade”, concluiu.