Ocorrência entre Congonhas e Ouro Preto não deixou feridos, levou à investigação da ANM e reacende debate sobre segurança na mineração
Um extravasamento de água com sedimentos em uma estrutura da Vale, na Mina de Fábrica, entre Congonhas e Ouro Preto, na Região Central de Minas Gerais, mobilizou equipes da Defesa Civil, autoridades ambientais e órgãos federais na madrugada deste domingo (25). Apesar do volume expressivo de água envolvido, não houve registro de feridos. O episódio voltou a acender o alerta sobre a segurança da mineração em Minas Gerais, tema que também preocupa cidades mineradoras como Araxá.
A ocorrência foi confirmada pela Prefeitura de Congonhas. Em um primeiro momento, houve a informação de rompimento de um dique, mas a Vale esclareceu posteriormente que se tratou do extravasamento de água com sedimentos de uma cava da mina, sem relação com barragens de rejeitos.
O que aconteceu na mina de Fábrica
Segundo a Vale, o extravasamento ocorreu em uma cava da Mina de Fábrica, estrutura usada diretamente na extração do minério. A água acumulada, misturada com sedimentos, acabou transbordando e avançou para áreas externas à mina, alcançando instalações de uma empresa vizinha.
A mineradora informou que comunicou imediatamente os órgãos competentes e que as causas do extravasamento estão sendo apuradas. A empresa destacou ainda que prioriza a proteção das pessoas, das comunidades e do meio ambiente.
Áreas da CSN Mineração foram alagadas
De acordo com a Companhia Siderúrgica Nacional, a água com sedimentos atingiu áreas da unidade Pires, em Ouro Preto, pertencente à CSN Mineração. Foram alagados o almoxarifado, acessos internos, oficinas mecânicas, áreas de embarque e outros setores operacionais.
Em nota, a CSN Mineração ressaltou que todas as suas estruturas de contenção de sedimentos estão operando normalmente. A empresa informou ainda que acompanha a situação de forma permanente desde a madrugada e que as autoridades competentes foram acionadas.
O Corpo de Bombeiros informou que cerca de 263 mil metros cúbicos de água com sedimentos vazaram durante o episódio. Equipes da Defesa Civil de Congonhas e de Ouro Preto estiveram no local para avaliação e monitoramento da área.
Investigação federal e fiscalização reforçada
Diante da ocorrência, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, determinou que a Agência Nacional de Mineração (ANM) investigue o extravasamento registrado na Mina de Fábrica. A determinação prevê fiscalização rigorosa das estruturas impactadas, adoção de medidas técnicas para solucionar a ocorrência e, se necessário, a interdição das operações.
Também foi ordenada a apuração de eventuais responsabilidades da empresa. Órgãos ambientais, Defesas Civis e o Ministério Público poderão atuar de forma conjunta na investigação e na definição de medidas para reparação de possíveis danos materiais e ambientais.
Entenda os termos da mineração
Para facilitar a compreensão da população, o Corpo de Bombeiros explicou as diferenças entre os principais termos usados na mineração. A cava é a grande escavação de onde o minério é retirado. No ponto mais baixo dessa cava fica o sump, um buraco de drenagem que serve para acumular a água da chuva ou do lençol freático e permitir o bombeamento para fora da mina, garantindo a segurança das operações.
A barragem é a estrutura destinada ao armazenamento dos rejeitos da mineração. Já o dique funciona como uma parede de contenção, podendo fazer parte de uma barragem ou atuar de forma independente. No caso deste domingo, o problema ocorreu no sistema de drenagem da cava, e não em uma barragem de rejeitos.
Coincidência com data marcada por tragédia em Minas
O extravasamento ocorreu no mesmo dia em que se completaram sete anos do rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, tragédia que matou 270 pessoas e marcou profundamente Minas Gerais. A coincidência reforçou a sensibilidade do tema e reacendeu o debate sobre prevenção, fiscalização e responsabilidade no setor mineral.
Mesmo ocorrido entre Congonhas e Ouro Preto, o episódio repercute em todo o estado e serve de alerta para municípios como Araxá, onde a mineração faz parte da realidade econômica e social e a segurança das operações segue como uma preocupação constante da população.