Gestão de nióbio em Araxá, foi tema de audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Foto: Luiz Santana / ALMG
Fonte: ALMG
Com a intenção do governo Pimentel de vender parte do controle acionário da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (CODEMIG) no ano passado, as atenções se voltaram para a atividade mais rentável da empresa, a exploração do nióbio de Araxá.
A partir daí ganhou novos contornos o histórico de divergências entre o Executivo e a instituição privada parceira no negócio, a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), que remonta aos anos 1950.
Marco Antônio Castello Branco, presidente da Codemig no último governo, apresentou à Comissão de Minas e Energia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), nesta quarta-feira (17/4/19), a versão da companhia sobre os problemas de gestão do nióbio explorado. Os representantes da CBMM terão o mesmo espaço em outra audiência pública já aprovada pela comissão.
Joint venture – Cada instituição possui uma mina e, para gerenciar as jazidas de nióbio, foi criada em 1972 a Companhia Mineradora do Pirocloro de Araxá (Comipa), uma joint venture entre a Codemig e a CBMM. O contrato firmado entre as duas companhias, com vigência até 2032, prevê o controle compartilhado da Comipa, a extração paritária do minério em ambas as minas e o repasse de 25% dos lucros para a estatal mineira. A empresa privada fica com a maior fatia do retorno por assumir a parte operacional do processo.
No entanto, segundo Castello Branco, além de alguns termos do acordo estarem sendo desrespeitados, outros são vistos de forma diferente entre as empresas. Ele denunciou, por exemplo, a completa submissão da Comipa à CBMM.
Todas as informações que dizem respeito à exploração estariam sob controle da CBMM, que se recusaria a compartilhá-las, transformando a Comipa em apenas um instrumento para a extração do nióbio.
Essa situação foi confirmada por Ricardo Luiz Oliveira, ex-presidente da Comipa, que relatou ter preparado pedido de renúncia ao cargo ao perceber que possuía apenas o controle simbólico do negócio. De acordo com o executivo, as informações sobre a exploração nunca chegavam à empresa, que não possuía nem mesmo uma identidade.
Teor de nióbio extraído é foco de discórdia
A reserva de minério de nióbio da Codemig é 43% menor em volume, mas tem 18% mais concentração do mineral. E aí está o principal foco de discórdia. Extraindo-se quantidades iguais de minério nas duas minas, o teor de nióbio retirado da mina da estatal será consequentemente maior, mas atualmente isso não é levado em consideração na divisão dos lucros.
Conforme informou Marco Antônio Castello Branco, apenas de 2012 a 2018, a Codemig contribuiu com 85 mil toneladas a mais de óxido de nióbio, que geraram R$ 3,5 bilhões de lucro, dos quais R$ 2,6 bilhões ficaram com a CBMM