Painéis retratam Dona Lina, Maria Aparecida Mateus, Humberto Quintino e Álvaro Maneira, além de elementos da cultura, fauna, flora e patrimônio do município
Os muros do Centro Esportivo Álvaro Maneira, antigo Araxá Tênis Clube (ATC), ganharam novos painéis do projeto Memomural, inaugurados neste domingo (27), em Araxá. A iniciativa utiliza a arte urbana como forma de preservar a memória do município e homenagear pessoas que contribuíram para diferentes áreas da história da cidade.
Nesta etapa, os murais retratam Gasparina Elvira de Souza, a Dona Lina; Maria Aparecida Mateus; Humberto Quintino; e Álvaro Maneira, conhecido como Coquinho. As obras também apresentam elementos da fauna e da flora da região e referências do patrimônio araxaense, como a Fundação Cultural Calmon Barreto, a Igreja São Sebastião, o Parque do Cristo e a Fonte Dona Beja, no Barreiro.
Inspirado nos grandes murais presentes em espaços urbanos de cidades como Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba, o Memomural propõe uma forma contemporânea de contar histórias e aproximar a população de personagens que fazem parte da trajetória de Araxá.
Os painéis foram idealizados pelo artista grafiteiro Antônio Lima, o Ton Lima, com produção executiva de Alex Silva. A execução contou com a participação dos artistas araxaenses Pedro Xamã, Araki, Bigas e Biu.
Segundo a presidente da Fundação Cultural Calmon Barreto (FCCB), Madalena Aguiar, o projeto contribui para preservar a memória da cidade por meio da arte e levar essas histórias para espaços frequentados pela comunidade.
A inauguração também contou com programação cultural, incluindo batalha de conhecimento, dança de rua e apresentação do grupo de Moçambique Liberdade, Liberdade.



Os novos murais do projeto Memomural transformam os muros do Centro Esportivo Álvaro Maneira, antigo ATC, em um espaço de arte e memória de Araxá. Foto: MEMOMURAL
Personalidades homenageadas
Dona Lina nasceu na região do Retiro do Gado, em Araxá, e teve uma trajetória marcada pelo trabalho, pela fé e pela arte. Mãe de 12 filhos, trabalhou como servente na Escola Estadual Dr. Eduardo Montandon e exerceu outras atividades ao longo da vida. Aprendeu técnicas artísticas na Fundação Cultural Calmon Barreto e produziu peças artesanais por mais de duas décadas em seu ateliê. Também integrou o Coral Villa-Lobos.
Maria Aparecida Mateus teve atuação na preservação da cultura afro-brasileira em Araxá. Durante muitos anos, participou da Guarda de Congado Rainha da Luz e contribuiu para a manutenção de tradições relacionadas à ancestralidade e à fé. Também esteve ligada ao Carnaval araxaense como presidente da Escola de Samba Acadêmicos de Santo Antônio e é homenageada no Memorial da Cultura Negra de Araxá.
Humberto Quintino construiu sua trajetória principalmente por meio do esporte e da inclusão social. Morador do Barreiro e de origem humilde, começou no futebol e chegou às categorias juvenis do Clube Atlético Mineiro. De volta a Araxá, teve contato com o tênis enquanto trabalhava como apanhador de bolas nas quadras da Hidrominas. Incentivado pelo médico e tenista Milton Tomasovich, passou a praticar a modalidade e construiu uma carreira de mais de quatro décadas, utilizando também o esporte como ferramenta de inclusão para crianças e jovens.
Álvaro Maneira, conhecido como Coquinho em Araxá e Xaxá no futebol paulista, nasceu no município e iniciou sua trajetória no Ipiranga Esporte Clube. Aos 17 anos, já se destacava como atacante e, em 1945, chegou ao Atlético Mineiro. Sua história permanece ligada ao esporte de Araxá também por meio do nome do antigo ATC, que atualmente é o Centro Esportivo Álvaro Maneira, onde os novos murais foram instalados.
O projeto Memomural é apresentado com patrocínio da CBMM e apoio da Prefeitura de Araxá e outros parceiros. A iniciativa é idealizada pela Ton Lima Produções e realizada pelo Moinho Cultural. Em Araxá, o projeto também já realizou intervenções nos ginásios dos bairros Padre Alaor, Santa Luzia e Santo Antônio.