Cantor e compositor destacou a influência da periferia, da literatura e de artistas como Cazuza em sua formação artística durante conversa mediada por Alexandre Coimbra
O rapper, cantor e compositor Djonga participou de um encontro marcado por emoção, reflexões e relatos pessoais durante o Fliaraxá 2026. A conversa foi mediada pelo escritor Alexander Coimbra e reuniu o público em um bate-papo sobre música, literatura, identidade e trajetória de vida.
Logo no início do encontro, Alexandre Coimbra destacou a importância da obra e da forma de expressão de Djonga, ressaltando que o artista carrega em sua fala e em suas músicas as marcas das experiências vividas.
Durante a conversa, Djonga falou sobre sua formação pessoal e artística, lembrando das vivências na periferia, dos bailes de funk, das batalhas de rap e do convívio familiar. O cantor também contou que cursou História até o 7º período na Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), experiência que ampliou sua forma de enxergar o mundo e de lidar com as palavras.
“Aprendi a ler o mundo e a lidar com as palavras de uma forma diferente”, afirmou.


Djonga recebeu com carinho um quadro do artista araxanese Matheus Black. Foto: Manu Chagas
Mesmo com a formação acadêmica, Djonga destacou que manteve a forma simples e direta de se comunicar, preservando as raízes construídas nas ruas e na convivência com pessoas humildes.
Natural de Belo Horizonte, Gustavo Pereira Marques, conhecido artisticamente como Djonga, se tornou um dos principais nomes do rap nacional nos últimos anos. Suas músicas abordam temas como racismo, desigualdade social, ancestralidade, vivências periféricas e questões existenciais, sempre com forte carga poética e crítica social.
O artista também relembrou momentos da infância e adolescência que ajudaram a despertar o interesse pela arte. Segundo ele, ainda criança já demonstrava interesse pela música e pela escrita, criando histórias em folhas de caderno e participando de apresentações musicais.
Djonga contou ainda sobre a influência marcante de Cazuza em sua trajetória. O rapper revelou que, durante a adolescência, assistiu inúmeras vezes ao filme sobre o cantor e mergulhou na obra do artista, passando a admirar a liberdade, a personalidade e a poesia presentes nas canções.
“Foi o que me deu vontade de cantar e fazer poesia para as pessoas”, destacou.
Ao longo da conversa, Djonga também falou sobre os desafios do início da carreira, o processo de aceitação pessoal e a rápida ascensão no cenário musical brasileiro. Segundo ele, a música começou a ganhar projeção entre 2016 e 2017, poucos anos depois das primeiras composições.
Com autenticidade e bom humor, o artista encerrou parte do bate-papo arrancando risos da plateia ao comentar sobre o próprio sucesso: “Mas é porque eu sou bom também demais”.
A participação de Djonga no Fliaraxá 2026 reforçou o espaço do festival para debates sobre arte, identidade, juventude, cultura urbana e transformação social através da música e da literatura.