Escritora e jornalista araxaense falou sobre literatura, excesso de tecnologia, o papel do jornalismo
A escritora e jornalista araxaense Leila Ferreira participou de mais uma edição do Fli Araxá 2026 e falou sobre o carinho que sente pela cidade, a força da literatura e os desafios do mundo atual. Em entrevista ao Grupo Imbiara de Comunicação, Leila destacou a emoção de retornar à terra natal e reencontrar o público araxaense.
“Para mim é sempre uma alegria imensa. Eu chego aqui e fico igual criança. Meu amor por Araxá eu nunca escondi e ele nunca diminuiu. Meu amor pelos livros também. Então o Fli Araxá é quando as duas paixões se juntam”, afirmou.
Durante a conversa, Leila também comentou sobre o sucesso do livro lançado recentemente, apresentado em Araxá no ano passado, durante encontro no Colégio São Domingos. Segundo ela, a obra teve uma repercussão acima do esperado e já chegou à segunda tiragem em poucos meses.
A escritora revelou que imaginava que o livro seria de leitura mais difícil por reunir muitos entrevistados e reflexões profundas, mas acabou surpreendida pela identificação do público com os temas abordados.
Entre os assuntos presentes na obra, Leila destacou os questionamentos sobre o excesso de tecnologia e a perda das conexões humanas presenciais. “Hoje a gente fala muito e conversa pouco”, observou. Ela também chamou atenção para a necessidade de pausas na rotina e para o que definiu como “ditadura da felicidade”, lembrando uma reflexão do filósofo Mário Sérgio Cortella: “Quem se sente feliz o tempo todo é porque não está entendendo nada”.
Ao falar sobre o papel do jornalismo e da literatura, Leila citou o escritor moçambicano Mia Couto e destacou a importância do encontro entre as pessoas em tempos de distanciamento emocional.
“Eu acho que o jornalista encurta caminhos, promove o encontro das estradas e das pessoas. A gente não pode perder isso de vista”, disse.
A jornalista ainda deixou uma mensagem aos jovens que sonham em seguir carreira no jornalismo e na escrita. Para ela, é fundamental refletir sobre o lugar que cada pessoa ocupa no mundo e, principalmente, sobre como pode ajudar os outros.
“A coisa mais importante da vida é o outro, e nós estamos nos esquecendo disso”, concluiu.