Prefeito Robson Magela anuncia que não assinará a renovação automática e exige contrapartidas claras
A Prefeitura de Araxá não vai assinar o pedido de prorrogação do contrato da Copasa até o ano de 2073. O anúncio foi feito pelo prefeito Robson Magela durante coletiva de imprensa, após o município receber, na última semana, um e-mail oficial da companhia solicitando a renovação antecipada do vínculo — que atualmente vale até 2034.
Robson reforçou que a decisão não tem caráter político, mas técnico. Segundo ele, Araxá carrega há anos problemas estruturais no abastecimento de água, esgoto, ligações clandestinas e falhas recorrentes no atendimento. O prefeito também destacou que respeita os funcionários da estatal, mas cobra ações efetivas da empresa.
Município quer contrapartidas reais antes de qualquer negociação
O prefeito foi direto: “Copasa, nós não vamos assinar. Antes de falar em 2073, precisamos saber o que Araxá vai receber em troca.”
Ele lembrou que, em Belo Horizonte, a renovação ocorreu porque a Copasa apresentou uma contrapartida bilionária. Em Araxá, até o momento, não foi apresentado nenhum plano concreto de investimentos que justifique a continuidade do contrato por mais quatro décadas.
Privatização e multa de R$ 120 milhões complicam cenário
Outro ponto discutido foi o impacto da possível privatização da Copasa. A Associação Mineira dos Municípios (AMM) – que reúne prefeitos do Noroeste e Alto Paranaíba – já acionou o Tribunal de Contas para esclarecer se a venda da empresa altera ou não a cobrança da multa rescisória, hoje estimada em R$ 120 milhões.
O prefeito ressaltou que o valor é inviável para o município e que qualquer tomada de decisão deve considerar esse risco.
Serviços continuam, mas Araxá quer alternativas
Robson afirmou que o município estuda todas as possibilidades caso a relação com a Copasa avance para uma ruptura no futuro. Entre elas estão:
- Manter a Copasa até o fim do contrato, cumprindo rigorosamente as obrigações.
- Criar uma autarquia municipal de saneamento, semelhante ao modelo adotado em outras cidades mineiras.
- Abrir licitação para atrair empresas privadas interessadas em assumir o serviço.
Todos os cenários, segundo ele, precisam ser avaliados com responsabilidade para que o custo final não recaia sobre os consumidores.
População cobra melhorias e cumprimento de promessas antigas
Durante a coletiva, jornalistas e representantes da comunidade questionaram:
- A falta de água em bairros altos;
- Problemas no esgoto, como o ponto crítico próximo ao Pódio da Galinha;
- Lentidão para reparos após obras da própria Copasa;
- Falta de investimentos prometidos ao longo dos anos.
O prefeito concordou e afirmou que “este é o momento de Araxá negociar com firmeza”, destacando que o município está crescendo e precisa de uma rede de saneamento compatível.