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Postado em: 18/07/2025 - 09:53 Última atualização: 18/07/2025 - 15:48
Por: Alex Sander Xexéu - Portal Imbiara

Audiência pública debate reestruturação do IPREMA em Araxá; Câmara deve avaliar alterações antes da votação

Projeto gera preocupações entre aposentados e sindicalistas

Audiência pública na Câmara de Vereadores em Araxá. Foto: Caio César

A Câmara Municipal de Araxá realizou nesta quinta-feira (17) no plenário Guilherme Gotelip Neto uma audiência pública para discutir o projeto de lei nº 139/2025, que propõe a reestruturação do IPREMA (Instituto de Previdência Municipal de Araxá). A proposta enviada pela Prefeitura prevê mudanças administrativas no órgão, incluindo a separação dos conselhos deliberativo e fiscal, criação de novos cargos comissionados, alteração da taxa de administração e outras alterações no funcionamento do Instituto.

O debate mobilizou aposentados, pensionistas, servidores da ativa, vereadores e representantes sindicais.

Preocupação dos aposentados

A servidora aposentada Lúcia Silva, participante da audiência, expressou preocupação com o impacto financeiro das mudanças propostas. Segundo ela, o projeto foi encaminhado à Câmara “a toque de caixa”, sem diálogo prévio com os aposentados e pensionistas.

Lúcia destacou que a proposta prevê o aumento da taxa de administração de 2% para 3%, o que representaria um custo adicional de aproximadamente R$ 2,5 milhões por ano para o Instituto. Ela também questiona a criação de novos cargos comissionados, com salários considerados elevados.

Se o IPREMA está em situação financeira delicada, como se justifica aumentar os gastos?”, questiona a aposentada. Ela lembrou ainda que o Instituto precisou usar recursos do fundo previdenciário para pagar o abono natalício dos servidores neste ano, o que gera mais insegurança sobre a saúde financeira do órgão.

Servidora aposentada Lúcia Silva, participante da audiência, expressou preocupação com o impacto financeiro das mudanças propostas. Foto: Caio César 

Posicionamento do IPREMA

O procurador autárquico do IPREMA, Marlon Rosa de Souza, defendeu a necessidade da reestruturação. Segundo ele, o projeto busca modernizar a gestão do Instituto e se adequar às normas federais e às boas práticas de governança.

Marlon explicou que a separação entre os conselhos deliberativo e fiscal é uma exigência legal e visa dar mais transparência à gestão. “Precisamos preparar o IPREMA para os próximos 30 anos, com qualificação técnica e controle interno. O debate é necessário e positivo”, afirmou.

Ele também ressaltou que as preocupações levantadas pelos aposentados e pensionistas são legítimas e que o projeto deve ser analisado com responsabilidade pelo Legislativo.

Procurador autárquico do IPREMA, Marlon Rosa de Souza. Foto: Caio César 

Participação do sindicato

O presidente do Sinplalto, Hely Aires, participou da audiência como representante sindical e como atual conselheiro do IPREMA. Ele ressaltou que a separação dos conselhos já era uma demanda antiga, mas criticou a inclusão da criação de cargos comissionados e o aumento da taxa administrativa no mesmo projeto.

Segundo Hely, há três caminhos possíveis diante da proposta:

O prefeito retirar o projeto e apresentar um substitutivo, ouvindo a categoria;

A Câmara emendar o texto, alterando pontos sem gerar aumento de despesa;

Rejeitar o projeto e devolver ao Executivo.

O sindicato é contra esse ‘jabuti’ dentro do projeto, que embute aumento de cargos e salários sem o devido debate. Precisamos de mais diálogo e reflexão antes de qualquer decisão”, reforçou Hely Aires.

Presidente do Sinplalto, Hely Aires. Foto: Caio César 

Próximos passos

O vereador Jarinho Borges, que presidiu a audiência pública, afirmou que a Câmara cumpriu seu papel ao ouvir a sociedade. Segundo ele, o projeto poderá ser analisado em sessões extraordinárias, mas há dúvidas sobre o prazo limite para aprovação, o que ainda será esclarecido.

Vereador em Araxá, Jairinho Borges. Foto: Caio César

Foi uma audiência equilibrada e produtiva. Agora, cabe ao plenário da Câmara decidir, com clareza e responsabilidade”, concluiu Jarinho.

A expectativa é que o projeto continue em discussão nos próximos dias, com possibilidade de alterações antes da votação final.