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Postado em: 11/07/2025 - 11:31 Última atualização: 11/07/2025 - 14:28
Por: Alex Sander Xexéu - Portal Imbiara

"Tarifaço" dos EUA e impacto direto em Araxá, diz Mário Heringer defendendo postura firme do Brasil

Deputado federal do PDT comentou ao Grupo Imbiara a posição do partido, os desafios da base do governo e os impactos diretos do "tarifácio" de Trump sobre Araxá

Deputado Mário Heringer em entrevista ao Grupo Imbiara de Comunicação. Foto: Caio César

Em entrevista ao Grupo Imbiara de Comunicação, o deputado federal Mário Heringer (PDT) falou com franqueza sobre a queda de popularidade do presidente Lula, a atual posição do PDT na Câmara dos Deputados e a reação necessária do Brasil diante do aumento tarifário anunciado por Donald Trump, possível candidato à presidência dos EUA.

PDT em posição de independência:

Heringer explicou que o PDT, embora tenha apoiado o governo federal no início do mandato, atualmente atua de forma independente. "Durante dois anos e meio nós viemos apoiando o governo, até mesmo segurando posições ideológicas. Mas não fomos reconhecidos, não houve valorização do nosso trabalho. O governo não tem base fiel", afirmou.

Segundo ele, o partido segue distante da oposição bolsonarista, mas se recusa a apoiar cegamente um governo com o qual vem se decepcionando. "Não somos oposição. Mas também não podemos fingir que está tudo bem. O povo está insatisfeito, e isso se reflete nas pesquisas", avaliou.

Críticas à condução do governo: 

O parlamentar avaliou que a falta de organização e reconhecimento político por parte do governo contribui para a insatisfação crescente. “As políticas públicas não estão aparecendo. O governo precisa agir, se comunicar melhor, e principalmente respeitar quem o sustenta politicamente no dia a dia”, disse.

"Tarifácio" dos EUA e impacto direto em Araxá

Ao comentar a proposta de taxação das exportações brasileiras por Donald Trump, Mário Heringer foi enfático:

“O agronegócio de Araxá será diretamente prejudicado. A cidade exporta cerca de US$ 176 milhões por ano. Isso pode sofrer uma taxação de 50%. Estamos falando de uma medida que impacta diretamente a economia local.”

Ele associou o agravamento da tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos ao comportamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e de seu filho Eduardo:

“Estão fazendo um desserviço ao país, um estelionato político e econômico. O agronegócio que sustentou Bolsonaro nas urnas vai pagar o preço da irresponsabilidade”, disse.

Como o Brasil deve reagir

Segundo o deputado, o governo brasileiro precisa de estratégia e paciência na negociação, sem misturar política interna com interesses comerciais.

“Trump é um louco inteligente. Ele joga alto para negociar lá embaixo. Foi assim com a China. Subiu a tarifa para 140%, depois recuou para 30% e ainda saiu ganhando”, explicou Heringer, que tem formação e vivência em negociação política.

Ele defende que o Brasil separe os temas na mesa de negociação e monte um grupo de crise, envolvendo os ministérios da Indústria e Comércio, Relações Exteriores, Agricultura e até mesmo o vice-presidente Geraldo Alckmin.

“O Lula não é um bom negociador para esse tipo de embate. Alckmin é calmo, técnico, conhece o setor. Deveria liderar esse processo junto ao Itamaraty”, afirmou.

Visão sobre eleições e futuro

Por fim, Heringer reafirmou que pretende apoiar um candidato do PDT à presidência em 2026, e que o Brasil precisa romper com a atual polarização.

“A última eleição foi ruim. Votei em Simone Tebet no primeiro turno e anulei no segundo. Não dá para votar no menos pior. Precisamos oferecer ao país opções verdadeiras e com projeto”, concluiu.