“Defendo que Minas tenha mais deputados porque desenvolveu e aumentou sua população”, diz Zé Silva
Durante entrevista concedida na Expoqueijo Brasil, em Araxá, o deputado federal Zé Silva (Solidariedade) comentou sobre a proposta de redistribuição do número de deputados federais entre os estados e defendeu o aumento proporcional de parlamentares na Câmara dos Deputados com base na população de cada estado. Nesta semana, o Senado Federal aprovou o projeto de lei complementar que amplia o número de deputados federais de 513 para 531. A mudança passa a valer após as eleições de 2026. A proposta recebeu 41 votos favoráveis e 33 contrários.
De acordo com a Agência Brasil, o texto determina que a criação e manutenção das novas vagas não poderá resultar em aumento de despesas para a Câmara dos Deputados entre os anos de 2027 e 2030. Ou seja, a ampliação da representação parlamentar deve ser feita com realocação de recursos já existentes, sem onerar os cofres públicos.
A proposta já havia sido aprovada na Câmara dos Deputados, mas sofreu alterações durante a tramitação no Senado e, por isso, precisará ser analisada novamente pelos deputados antes de seguir para sanção presidencial.
Segundo o parlamentar, a medida é necessária para garantir justiça na representação política, desde que respeite critérios populacionais e não implique em aumento de despesas para o cidadão.
“Se pegarmos estados como o Acre ou Rondônia, que têm oito deputados, e compararmos com Minas Gerais, que é muito maior e tinha menos, vemos que há uma distorção”, afirmou. Para o deputado, a redistribuição deve ser feita com base no crescimento populacional recente de estados como Minas, sem gerar mais custos. “Não se trata de aumentar o número total de deputados, mas de realocar de forma justa. Alguns estados vão ganhar, outros vão perder. O importante é que quem tem mais população tenha mais representantes”, explicou.
Zé Silva deixou claro que não apoia qualquer aumento de despesas no Congresso, mas considera essencial que haja regras claras e proporcionais na composição da Câmara dos Deputados. “Sou contra aumentar os gastos com a máquina pública, mas defendo que Minas tenha mais deputados porque se desenvolveu e aumentou sua população”, completou.
Expoqueijo Brasil e fusão entre Solidariedade e PRD
O deputado federal Zé Silva também relembrou trajetória dele ligada ao desenvolvimento da cadeia produtiva do queijo. “Comecei esse trabalho quando era gerente regional da Emater em Uberaba, ainda em 2002. Como presidente da Emater, fizemos uma cooperação com a França e levamos produtores para lá. No Congresso, conseguimos aprovar uma lei que dispensa a exigência da inspeção federal e permite que os queijos artesanais tenham selo com base apenas na inspeção municipal (SIM)”, explicou.
Segundo ele, o selo tem valorizado a produção artesanal e gerado mais renda aos produtores. “Um produtor de Virgínia (MG), por exemplo, vendia o queijo por R$ 28. Depois que recebeu o selo, passou a vendê-lo por R$ 80, podendo comercializar para capitais como São Paulo e Rio de Janeiro”, disse.
Zé Silva falou ainda sobre a formação da federação entre os partidos Solidariedade e PRD, que mantêm identidades partidárias, mas atuam de forma unificada em Minas Gerais. O deputado reafirmou apoio ao governador Romeu Zema (Novo) e destacou a importância de uma política fora da polarização. “Precisamos de pessoas com serenidade para discutir temas relevantes, como a derrubada do decreto que aumentava impostos sobre o setor produtivo”, afirmou.