Trabalho de base alia inclusão social e esporte, garantindo bolsas de estudo e projeção para atletas formadas localmente
O projeto Meninas de Ouro, voltado à formação esportiva por meio do voleibol em Araxá, segue ampliando sua atuação e colhendo resultados dentro e fora do país. A iniciativa completa oito anos de atividades e já encaminhou atletas para clubes de diferentes estados, muitas delas beneficiadas com bolsas de estudo — trajetória que pode culminar até mesmo em oportunidades internacionais.
De acordo com a coordenadora Andrea Galleguillos, o trabalho tratado dentro do programa Debate Esportivo do último sábado (14), vai além da formação esportiva. “A gente enxerga que o esporte pode realmente transformar a vida de uma menina. Ele abre oportunidades, seja chegar ao profissional ou conquistar uma bolsa de estudos”, destacou.
Segundo ela, a criação recente do Instituto Meninas de Ouro busca ampliar o alcance das ações e captar novos apoios. “A gente tem uma demanda muito grande e, agora, com o instituto, vamos buscar parcerias para estender os atendimentos”, explicou. O projeto atende crianças a partir dos sete anos, unindo iniciação esportiva e desenvolvimento social.
Entre os resultados recentes, nove atletas já iniciaram a temporada em equipes de estados como Paraná e outros centros do voleibol nacional. O acompanhamento das jogadoras continua mesmo após a saída da cidade. “Elas voltam, treinam com a gente nas férias, são espelho para as mais novas. Esse vínculo que se cria através do esporte é muito forte”, afirmou a coordenadora.
A trajetória da atleta Ana Júlia é um exemplo das oportunidades abertas pela iniciativa. Ela começou no voleibol aos 10 anos e, após anos de formação, passou a atuar por equipes paranaenses, onde ganhou experiência em competições e amadureceu longe da família.
“Foi difícil no início, despedir dos meus pais, mas eu sabia que era o que eu queria. Arrisquei, continuei e deu certo”, relatou.
A convivência com outras atletas e a rotina fora de casa contribuíram para seu desenvolvimento pessoal. “Eu aprendi muito, fiz amizades, amadureci. É uma experiência totalmente diferente, que faz a gente crescer rápido”, contou.
Agora, o próximo passo será internacional. A jovem se prepara para seguir para os Estados Unidos com bolsa integral para estudar e jogar voleibol. “Passei muito tempo da minha vida amando o esporte e essa oportunidade é a prova de que valeu a pena”, disse.
As inscrições para o projeto seguem abertas, com vagas para turmas iniciantes e avaliações voltadas à detecção de talentos. Para a coordenação, histórias como a de Ana Júlia reforçam o papel do esporte como ferramenta de transformação social e educacional, além de incentivo para novas gerações que iniciam a prática esportiva.