Iniciativa de formação esportiva já atende dezenas de jovens e começa a colher frutos dentro e fora das quadras
Enquanto os clássicos do futebol movimentam os gramados pelo país, em Araxá outro esporte vem construindo uma história de crescimento, oportunidades e transformação social. O Projeto Vôlei Brasília Araxá, braço do tradicional Brasília Vôlei, tem se consolidado como referência na formação de atletas e cidadãos, abrindo portas para jovens que sonham alto no esporte.
Coordenado pelo professor Felipe Morelli Belli, o projeto é o primeiro polo oficial do Brasília Vôlei fora do Distrito Federal. A proposta vai muito além do ensino dos fundamentos da modalidade: envolve planejamento técnico, acompanhamento físico, apoio às famílias e preparação para o futuro — seja ele nas quadras ou fora delas. O projeto trabalha com atletas de 12 a 18 anos, oferecendo uma estrutura que inclui treinos técnicos, preparação física, orientação metodológica alinhada ao voleibol de alto rendimento e participação em competições. A ideia é funcionar como um verdadeiro celeiro de talentos.
“A gente não forma só atletas. A gente ajuda a formar cidadãos: jovens mais confiantes, responsáveis e preparados para a vida”, destaca o professor Felipe. Os treinamentos acontecem no Ginásio José Custódio Resende, no bairro Parque das Flores, e contam ainda com parcerias que garantem suporte físico e de saúde aos atletas.
Um dos principais exemplos do impacto do projeto é a história da atleta Ana Júlia Borges, de 18 anos. Ela começou na escolinha de vôlei, evoluiu nas categorias de base e agora está de malas prontas para Brasília, onde passará a integrar o time universitário ligado ao Brasília Vôlei, com bolsa de estudos e a chance de integrar o grupo pré-profissional (sub-23). “O vôlei sempre foi meu refúgio. O projeto me ajudou como jogadora e como pessoa. Aprendi a trabalhar em equipe, a confiar mais em mim e a lidar melhor com as dificuldades”, conta Ana Júlia. A jovem treina cinco vezes por semana, conciliando quadra e academia, e agora dá um dos passos mais importantes da carreira esportiva.
No masculino, o projeto também revela talentos, como o jovem Rafael Elias Barcelos, de 15 anos. Ele começou a jogar há cerca de dois anos, já dentro do projeto, e hoje sonha em se tornar atleta profissional. Rafael também participará de um intercâmbio em Brasília, onde será observado mais de perto pela comissão técnica do clube. “Depois que entrei no projeto e conheci melhor o esporte, comecei a sonhar em ser profissional. Hoje, isso é o que eu quero para o meu futuro”, afirma o atleta.
O projeto conta com o apoio de empresas locais e da comunidade. Entre os parceiros estão a BemBrasil (patrocinadora master), o Grupo Ayres, o Posto Deck, a SF Engenharia, a Academia Hardcore, clínica de fisioterapia CARE e outros colaboradores. A Prefeitura de Araxá também é parceira, cedendo espaço para treinos e contribuindo com o transporte para competições. Segundo o professor Felipe, a ligação com o Brasília Vôlei também garante suporte administrativo e acesso a mecanismos como a Lei de Incentivo ao Esporte, fundamentais para a manutenção e o crescimento da iniciativa.
Apesar do foco na alta performance, o projeto tem clareza de que nem todos seguirão carreira profissional — e isso também faz parte do processo. “O esporte ensina disciplina, responsabilidade e resiliência. Mesmo quem não se torna atleta profissional leva esses aprendizados para a vida inteira”, ressalta o coordenador. Com histórias como a de Ana Júlia ganhando o Brasil, o Vôlei Brasília Araxá mostra que, com planejamento, apoio e oportunidade, o interior também pode ser ponto de partida para grandes conquistas.