Postado em: 22/10/2026 - 14:42 Última atualização: 22/10/2026
Por: Alex Sander Xexéu - Portal Imbiara

Hipertensão atinge 28% de crianças e adolescentes, e nutricionista de Araxá alerta para riscos da má alimentação

Especialista Isabela Costa destaca a relação entre excesso de peso, sedentarismo e pressão alta e orienta famílias sobre hábitos saudáveis desde a infância

Obesidade Infantil. Foto: Ministério da Saúde

A hipertensão arterial, problema de saúde tradicionalmente associado à vida adulta, também preocupa entre crianças e adolescentes. Um levantamento da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) identificou que 28,3% dos participantes de até 18 anos avaliados no Brasil apresentam hipertensão. O estudo também aponta uma relação entre o excesso de peso e o aumento da pressão arterial, reforçando a importância da alimentação equilibrada e da prática de atividades físicas desde os primeiros anos de vida.

Em entrevista à Rádio Imbiara, a nutricionista Isabela Costa, da Magrass, em Araxá, alertou para os fatores que contribuem para o desenvolvimento da hipertensão nessa faixa etária e destacou o papel dos pais na construção de hábitos saudáveis dentro de casa.

Segundo a pesquisa Brasil Coração Saudável, realizada entre 3 de junho e 7 de outubro de 2026, foram avaliadas 6.092 crianças e adolescentes de 38 escolas de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo. Além da hipertensão, o levantamento identificou que 11,6% dos participantes apresentam pré-hipertensão.

Os dados também revelam que uma em cada três crianças e adolescentes avaliados está acima do peso, sendo 19,5% com sobrepeso e 13,6% com obesidade. Entre os participantes com obesidade, a proporção de hipertensão chega a 48,4%. No grupo de 15 a 18 anos com obesidade, o índice alcança 60,5%.

Nutricionista Isabela Costa, da Magrass Araxá, alerta para os riscos da hipertensão em crianças e adolescentes e destaca a importância da alimentação saudável e da prática de atividades físicas na prevenção de doenças cardiovasculares. Foto: Alex Xexéu 

Alimentação inadequada e histórico familiar

De acordo com Isabela Costa, o desenvolvimento da hipertensão em crianças e adolescentes pode estar relacionado a diferentes fatores, incluindo sedentarismo, histórico familiar, predisposição genética, alterações hormonais e renais e hábitos alimentares inadequados.

A nutricionista chama a atenção especialmente para o consumo excessivo de sódio e de alimentos ultraprocessados, que podem contribuir para o aumento dos riscos cardiovasculares, sobretudo quando associados ao excesso de peso e à falta de atividade física.

Entre os alimentos que devem ter o consumo limitado estão macarrão instantâneo, fast-food, bolachas industrializadas, salgadinhos e refrigerantes. Além do sódio presente em diversos produtos industrializados, o excesso de açúcar também merece atenção, considerando os riscos metabólicos associados a uma alimentação desequilibrada.

A orientação é priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, verduras, legumes e preparações caseiras, reduzindo a presença de produtos ultraprocessados na rotina alimentar.

Excesso de telas e falta de atividade física

Outro ponto de preocupação identificado pelo levantamento é o tempo que crianças e adolescentes passam diante de dispositivos eletrônicos. Segundo a pesquisa, 59% dos participantes ficam mais de três horas por dia em frente às telas. Além disso, 66% realizam apenas de uma a duas horas de atividade física por semana.

Para Isabela, a combinação entre pouco movimento, alimentação inadequada e excesso de tempo diante de celulares e televisores pode favorecer o ganho de peso e prejudicar a saúde.

A nutricionista orienta os pais a incentivarem os filhos a praticar atividades físicas de acordo com a idade e as preferências de cada um. Futebol, natação, brincadeiras ao ar livre, passeios ao parque e outras atividades recreativas são alternativas para estimular o movimento sem que seja necessário frequentar uma academia.

Ela também recomenda que as refeições sejam feitas sem o uso de telas. Além de favorecer a atenção ao que está sendo consumido, o momento à mesa pode fortalecer a convivência familiar e contribuir para uma relação mais saudável com a alimentação.

Escola também tem papel importante

A formação dos hábitos alimentares não depende apenas da rotina doméstica. O ambiente escolar também pode contribuir para escolhas mais saudáveis, especialmente porque muitas crianças passam boa parte do dia na escola.

Durante a entrevista, Isabela destacou iniciativas de instituições de ensino que orientam os responsáveis sobre os alimentos enviados na lancheira. Para ela, oferecer opções nutritivas, como frutas, sanduíches naturais e bolos preparados em casa, é uma maneira de melhorar a qualidade da alimentação durante o período escolar.

A participação das famílias e das escolas é importante para que as crianças tenham contato com alimentos variados e aprendam, desde cedo, a fazer escolhas que favoreçam o crescimento e o desenvolvimento.

Exemplo dos pais influencia os filhos

A nutricionista também ressaltou que as crianças costumam reproduzir os comportamentos observados em casa. Por isso, exigir que os filhos comam verduras e legumes enquanto os próprios adultos não mantêm esse hábito pode dificultar a mudança alimentar.

Isabela relatou o caso de uma paciente que decidiu rever a própria alimentação depois de ser questionada por um dos filhos sobre a cobrança para que as crianças comessem verduras e legumes, enquanto ela mesma não consumia esses alimentos.

A situação, segundo a especialista, mostrou à mãe a importância de adotar os hábitos que desejava transmitir aos filhos.

A orientação é que os adultos participem ativamente desse processo, oferecendo alimentos saudáveis, compartilhando as refeições e incentivando uma rotina que combine alimentação equilibrada, movimento e momentos de convivência.

Prevenção começa na infância

O levantamento da Sociedade Brasileira de Cardiologia reforça a necessidade de atenção à saúde cardiovascular desde cedo. A hipertensão pode estar associada a fatores genéticos e a outras condições de saúde, mas hábitos alimentares inadequados, excesso de peso e sedentarismo são aspectos que merecem acompanhamento.

A aferição da pressão arterial durante consultas pediátricas, conforme a orientação do profissional de saúde, também é importante para identificar alterações e avaliar a necessidade de investigação.

Para a nutricionista Isabela Costa, a prevenção passa pela participação conjunta da família e da escola na construção de uma rotina mais saudável. A adoção de hábitos equilibrados na infância pode contribuir para reduzir fatores de risco e favorecer uma melhor qualidade de vida na adolescência e na fase adulta.