Postado em: 28/09/2026 - 15:52 Última atualização: 28/09/2026 - 15:54
Por: Alex Sander Xexéu - Portal Imbiara

Lixo ou matéria-prima? Reciclagem revela potencial ainda pouco aproveitado em Araxá

Empresa estima que volume de materiais recicláveis poderia ser até três vezes maior com a separação correta dos resíduos nas residências

Recicláveis em Araxá. Foto: Alex Xexéu

A separação correta dos resíduos dentro de casa pode aumentar significativamente o volume de materiais encaminhados para reciclagem em Araxá. Em entrevista ao Imbiara Notícias, do Grupo Imbiara, a proprietária da Recicladão Araxá, Rosana Ribeiro, explicou que a quantidade de materiais recicláveis recolhida atualmente poderia chegar a até três vezes mais caso os moradores separassem corretamente os resíduos.

Segundo Rosana, muitos materiais que poderiam voltar para a cadeia produtiva ainda acabam misturados ao lixo orgânico e seguem para a destinação final. Para ela, a mudança começa dentro das próprias residências, com uma atitude simples: separar aquilo que pode ser reaproveitado.

“A poluição do lixo precisa ser repensada e avaliada por cada um de nós. Se a gente parar para pensar no lixo que junta semanalmente em nossas casas, o volume é exorbitante.”

Rosana Ribeiro, proprietária da Recicladão Araxá, falou ao Imbiara Notícias sobre a importância da separação correta dos materiais recicláveis e o potencial de crescimento da reciclagem no município. Segundo ela, uma quantidade maior de resíduos poderia ser reaproveitada caso os moradores separassem os materiais ainda dentro de casa. Foto: Alex Xexéu 

Entre os materiais mais procurados estão as latinhas de alumínio, que já são conhecidas por boa parte da população pelo valor de comercialização. No entanto, outros produtos também podem ser encaminhados para reciclagem, como panelas, torneiras, peças e esquadrias de alumínio, além de fogões, geladeiras, tanquinhos, garrafas PET e papelão.

O vidro também pode ser destinado à reciclagem, desde que encaminhado de acordo com a estrutura disponível para esse tipo de material.

Além da contribuição ambiental, a separação dos recicláveis pode representar uma possibilidade de retorno financeiro. Os materiais recebidos são pesados e, conforme o tipo de resíduo, o morador pode receber pelo material entregue.

Entrevistados pela reportagem do Imbiara Notícias falaram sobre a realidade da reciclagem em Araxá, a importância da separação correta dos resíduos e o impacto que o reaproveitamento de materiais pode gerar tanto para o meio ambiente quanto para a renda de trabalhadores que atuam nesse segmento. Fotos: Alex Xexéu

Menos lixo e mais reaproveitamento

A destinação incorreta dos recicláveis aumenta o volume de resíduos que precisa ser transportado e encaminhado para aterros. Quando materiais que poderiam ser reaproveitados são misturados ao lixo comum, eles deixam de retornar à cadeia produtiva e passam a integrar o fluxo de resíduos destinados à disposição final.

O assunto ganha importância diante do atual cenário da gestão de resíduos em Araxá. Com a vida útil do aterro sanitário municipal encerrada, o município passou a encaminhar os resíduos para destinação em aterro licenciado em Uberaba, aumentando a importância da redução, da separação e do reaproveitamento dos materiais.

A ampliação da coleta seletiva e o aumento da quantidade de recicláveis recuperados podem contribuir para reduzir o volume de resíduos encaminhados para a destinação final.

Para Rosana, a mudança depende principalmente da participação dos moradores. A separação começa com materiais que estão diariamente dentro das casas e que, em vez de serem descartados junto ao lixo comum, podem voltar para a cadeia de produção.

No Bota-Fora, o descarte também vira renda

A reportagem do Imbiara Notícias também esteve no Bota-Fora localizado no fim da Rua Terêncio Pereira, na região do bairro Mangabeiras, e ouviu pessoas que encontram nos materiais descartados uma fonte de renda.

Um dos entrevistados foi José Nilton, que trabalha como pedreiro quando consegue serviço e, nos períodos em que não encontra trabalho, recorre à coleta de materiais recicláveis para complementar o orçamento.

Ele contou que costuma recolher principalmente alumínio e cobre, devido ao tamanho do seu carrinho. Depois, leva os materiais para uma cooperativa, onde são pesados e comercializados de acordo com o tipo de resíduo.

Segundo José Nilton, o valor obtido varia conforme a quantidade encontrada e os preços pagos pelos materiais. Ele relatou que, em alguns períodos, consegue reunir alguns quilos de cobre, alumínio e latinhas, utilizando o dinheiro para ajudar nas despesas de casa.

“Quando não tem o bico, eu venho para cá catar alguma coisinha para ajudar. Dá uns trocos. A gente cata essas coisinhas, ajeita, vende.”

A atividade, segundo ele, também é realizada por outras pessoas que frequentam o local em busca de materiais que possam ser revendidos. Zenílton estima que cerca de sete pessoas costumam fazer esse trabalho com frequência na área.

Ele também relatou que há restrições para a entrada de pessoas no local durante a operação de máquinas e que a coleta precisa ser feita em momentos permitidos pelos responsáveis pela área. A situação, segundo o entrevistado, é acompanhada por pessoas que dependem da atividade para complementar ou garantir a renda.

José Nilton, que trabalha com a coleta de materiais recicláveis para complementar a renda, contou à reportagem como aproveita principalmente alumínio e cobre encontrados no Bota-Fora. Ele também destacou a importância da reciclagem para o meio ambiente e para as pessoas que dependem da comercialização desses materiais. Foto: Alex Xexéu 

Onde levar

A Recicladão Araxá está localizado na Avenida Imbiara, nº 1777, anexa à Lider Madeiras próximo ao Parque de Exposições.

Moradores interessados em destinar materiais recicláveis podem procurar a empresa para obter informações sobre os tipos de materiais recebidos e as condições de entrega.