Postado em: 18/09/2026 - 16:48 Última atualização: 18/09/2026
Por: Manoelita Chagas - Portal Imbiara

Rações terapêuticas auxiliam no tratamento de doenças em cães e gatos em Araxá

Especialista explica diferenças entre dietas para problemas renais, urinários, gastrointestinais, alergias e controle de peso e reforça a importância da orientação veterinária

Outro ponto abordado foi a diferença entre alergias alimentares e problemas dermatológicos, como a atopia. Foto: Caio César

A alimentação pode ter papel importante no tratamento de diferentes doenças que afetam cães e gatos. O assunto foi discutido nesta sexta-feira (18), durante o programa Vida de Pet, da Rádio Imbiara, em Araxá. O consultor de vendas Jean Martins, que atende a região pela distribuidora Tripet e trabalha com a linha veterinária da Royal Canin, explicou como funcionam os chamados alimentos coadjuvantes, conhecidos popularmente como rações terapêuticas.

Segundo Jean, apesar do nome, esses produtos não contêm medicamentos. Eles são formulados com alterações na composição de nutrientes para oferecer suporte nutricional a animais que já possuem um diagnóstico. A própria Royal Canin classifica essas dietas como alimentos coadjuvantes e recomenda que sejam utilizadas com indicação de um médico-veterinário. "A ração terapêutica, o nome técnico dela é um alimento coadjuvante. Ela vai estar atuando junto com os medicamentos para auxiliar o metabolismo do animal em determinada situação de saúde.", explicou Jean.

Entre as condições que podem contar com esse suporte nutricional estão doenças renais, problemas do trato urinário, alterações gastrointestinais e hepáticas, alergias alimentares, doenças cardíacas, diabetes e situações relacionadas ao excesso de peso. As formulações variam de acordo com a doença e também com a espécie, já que cães e gatos possuem necessidades nutricionais diferentes.

Dieta renal e urinária não são a mesma coisa

Um dos principais alertas feitos durante o programa foi para que os tutores não confundam as dietas destinadas a problemas renais com aquelas formuladas para doenças urinárias. Embora os dois sistemas estejam relacionados, as estratégias nutricionais são diferentes.

Jean explicou que, nas dietas renais, alguns nutrientes são reduzidos para diminuir a sobrecarga sobre os rins. Já determinadas dietas urinárias utilizam características diferentes, inclusive relacionadas à ingestão de água e ao controle da formação de cristais e cálculos. A linha veterinária da Royal Canin, por exemplo, apresenta produtos específicos para doença renal e para doenças do trato urinário. "Na urinária, a gente vai ter alta concentração de sódio para estimular esse animal a beber água. Já na renal, a gente tem a redução de sódio. Então, se o paciente for renal e você está dando uma urinária para ele, você está forçando mais ainda esse animal.", afirmou.

A médica-veterinária Letícia Cardoso reforçou que a indicação depende da avaliação individual do paciente. Em casos de doença renal crônica, por exemplo, a condição do animal precisa ser avaliada antes da definição da dieta. A organização International Renal Interest Society (IRIS) mantém diretrizes específicas para diagnóstico, estadiamento e tratamento da doença renal crônica em cães e gatos. "Não é só a patologia. É o paciente. É fazer o tratamento individual de cada paciente, pensando sempre no bem-estar do animal.", destacou Letícia.

Rações para alergias também possuem indicações diferentes

Outro ponto abordado foi a diferença entre alergias alimentares e problemas dermatológicos, como a atopia. Jean explicou que uma coceira ou alteração de pele, por si só, não significa que o animal precise receber uma dieta hipoalergênica.

Em casos de suspeita de reação adversa ao alimento, dietas específicas podem ser utilizadas como parte da investigação e do tratamento. Já para determinadas condições dermatológicas, podem existir outras formulações direcionadas à saúde da pele. A linha veterinária da Royal Canin possui dietas específicas para reações adversas ao alimento e para problemas dermatológicos e atopia. "É um erro muito comum falar assim: 'está com alergia, eu vou dar a hipoalergênica'. Não. Aí você precisa saber qual é o tipo de alergia e qual é a indicação para aquele paciente.", explicou Jean.

Controle de peso exige acompanhamento

O excesso de peso também foi discutido durante a entrevista. As dietas destinadas ao controle de peso são formuladas para aumentar a saciedade e ajudar na redução da ingestão calórica, mas não substituem o acompanhamento profissional.

Jean ressaltou que o resultado depende também da rotina do animal e da quantidade de alimentos extras oferecidos pelos tutores. Petiscos, restos de comida e outros alimentos podem comprometer o objetivo da dieta.

A World Small Animal Veterinary Association (WSAVA) orienta que a avaliação nutricional seja individualizada e destaca a importância do acompanhamento do peso e da condição corporal dos animais. A entidade também recomenda que petiscos representem, em geral, no máximo 10% da ingestão calórica diária. "Às vezes, a pessoa fala que o tratamento não foi eficiente, mas ficou dando pão de queijo, petisco. Se é um animal em tratamento para obesidade, é preciso se policiar e seguir a dieta indicada.", afirmou Jean.

Prescrição deve ser feita pelo médico-veterinário

Durante o programa, os profissionais reforçaram que a facilidade para comprar uma ração terapêutica não significa que o produto possa ser escolhido sem orientação. O diagnóstico, exames clínicos e laboratoriais e as características individuais do animal devem ser considerados antes da escolha da dieta.

A recomendação também vale para situações em que o tutor identifica uma doença específica e tenta escolher sozinho uma ração. Um animal com doença renal, por exemplo, pode estar em uma condição diferente de outro paciente com o mesmo diagnóstico, o que interfere na conduta nutricional. "Não é simplesmente: 'meu gato foi diagnosticado com problema renal, então eu vou lá comprar ração renal'. Converse com o seu veterinário, porque cada caso é um caso.", alertou Letícia.

Os especialistas também chamaram atenção para outro erro: substituir a dieta destinada a uma espécie pela de outra. Cães e gatos possuem necessidades nutricionais diferentes, e uma formulação desenvolvida para um gato não deve ser utilizada automaticamente em um cão, ou vice-versa.

A orientação geral é que a alimentação terapêutica seja entendida como parte de um tratamento mais amplo, definido de acordo com as necessidades de cada paciente. Informações sobre as linhas veterinárias e suas indicações podem ser consultadas no site oficial da Royal Canin Brasil, enquanto as diretrizes de nutrição da WSAVA oferecem materiais voltados a profissionais e tutores.