Secretária de Serviços Urbanos, Anna Tereza Ávila, falou ao Imbiara Notícias sobre manutenção das vias, iluminação pública, coleta de lixo, reciclagem e destinação de resíduos no município
A situação do tapa-buraco, a manutenção das áreas públicas e os serviços de limpeza urbana estiveram entre os principais assuntos discutidos pela secretária de Serviços Urbanos de Araxá, Ana Tereza Ávila, durante entrevista ao programa Imbiara Notícias, na manhã de sexta-feira (28). A gestora também respondeu a reclamações de moradores e apresentou as prioridades da pasta para os próximos meses.
Um dos principais pontos abordados foi a retomada do serviço de tapa-buraco pela Secretaria de Serviços Urbanos. Segundo Ana Tereza, a mudança ocorreu em fevereiro, por decisão da administração municipal, considerando o perfil das equipes disponíveis na pasta. A secretária reconheceu que ainda existem pontos críticos na cidade, mas afirmou que houve avanço desde o início dos trabalhos. “Realmente, estava ruim, não está bom ainda, mas a gente conseguiu avançar muito na questão do tapa-buraco.”
Novo credenciamento deve retomar serviço
De acordo com a secretária, a cidade passou por um período de dificuldade na manutenção das vias devido ao encerramento de contratos e à demora dos processos administrativos para contratação de novos serviços. O cenário foi agravado pelo volume de chuvas registrado ao longo do ano, que contribuiu para a abertura de novos buracos.
O credenciamento utilizado para o serviço paliativo terminou em junho e, segundo Ana Tereza, a Prefeitura trabalha em um novo processo. A expectativa apresentada durante a entrevista é de que o tapa-buraco seja retomado em aproximadamente dez dias a partir da data da entrevista.
A secretária destacou, entretanto, que a recuperação definitiva das vias depende de intervenções mais amplas. Para ela, o recapeamento é uma solução mais eficiente do que a manutenção pontual, principalmente em locais onde problemas de drenagem contribuem para o surgimento recorrente de buracos. “O tapa-buraco, querendo ou não, ele é só paliativo. Ele vai abrir.”
Entre os problemas identificados pela secretaria estão pontos em que a água não escoa adequadamente. Ana Tereza citou como exemplo um trecho da Araceli de Paula onde, segundo ela, a água utilizada diariamente por um estabelecimento contribui para a deterioração do pavimento.
A situação também foi relacionada ao planejamento das obras de recapeamento. Segundo a secretária, a execução de uma topografia adequada permite melhorar o escoamento da água e reduzir a possibilidade de que o problema volte a aparecer.
Drenagem e prevenção para o período chuvoso
Com a aproximação do período de chuvas, a Secretaria de Serviços Urbanos também concentra esforços na limpeza de córregos e estruturas de drenagem. A estratégia inclui a desobstrução de locais que recebem grande volume de água durante as precipitações.
As chamadas avenidas sanitárias estão entre os pontos considerados prioritários. A pasta também intensificou ações de poda de árvores, depois de ocorrências envolvendo quedas de árvores nos últimos meses.
Segundo Ana Tereza, os pedidos de poda estão atualmente em dia e uma equipe da secretaria foi direcionada para acompanhar esse tipo de serviço. A realização de podas e cortes, porém, depende de autorização do Instituto de Planejamento e Desenvolvimento Sustentável de Araxá (IPDSA), conforme explicou a secretária.
Iluminação pública terá ronda noturna
Outro serviço citado durante a entrevista foi a manutenção da iluminação pública. A secretária reforçou que a população deve registrar as solicitações pelos canais oficiais, já que a equipe não consegue identificar automaticamente todas as lâmpadas que apresentam problemas.
A expectativa é que, quando a solicitação chega à secretaria, a troca seja realizada em até 48 horas. Ana Tereza explicou, entretanto, que nem todos os casos são provocados por lâmpadas queimadas. Problemas relacionados a relés e oscilações no fornecimento de energia também podem interferir no funcionamento da iluminação.
A partir de 1º de setembro, a secretaria pretende iniciar uma ronda noturna para acompanhar de perto os pontos com problemas e verificar a execução dos serviços. As solicitações podem ser encaminhadas pelo Colab e pelo telefone da Secretaria de Serviços Urbanos, (34) 3668-0608, com atendimento informado pela secretária entre meio-dia e 18h.
Cata-Treco ganha agendamento por regiões
O serviço Cata-Treco também foi destacado durante a entrevista. Segundo Ana Tereza, o atendimento funciona por agendamento e é organizado por regiões, permitindo que os moradores deixem os materiais na porta de casa para que sejam recolhidos na data programada.
A secretária também explicou as mudanças adotadas no ponto de descarte localizado na região da Serrinha. O espaço passou a contar com uma guarita e um servidor responsável pelo controle dos materiais recebidos. A estrutura permite separar resíduos da construção civil e restos de poda de pequenos geradores.
A medida busca evitar o descarte irregular e reduzir o acúmulo de materiais. Segundo a secretária, uma máquina e um caminhão trabalham no local de segunda a sexta-feira, das 7h às 16h, e eventuais acúmulos registrados aos finais de semana são retirados no início da semana.
Empresas, no entanto, devem fazer a destinação dos próprios resíduos. O local é destinado a materiais provenientes de pequenos geradores e não recebe grandes volumes transportados por caminhões particulares.
Prefeitura estuda novos ecopontos
A expansão da cidade também foi apontada como um dos fatores que exigem novas soluções para o descarte de resíduos. Durante a entrevista, Ana Tereza afirmou que a Prefeitura já estuda, em parceria com a Secretaria de Meio Ambiente, a implantação de novos ecopontos.
Segundo ela, o projeto já recebeu aprovação e prevê a criação de mais três espaços destinados ao descarte adequado de materiais. A proposta é reduzir o descarte irregular, principalmente em regiões onde o crescimento urbano tem aumentado a geração de resíduos.
A discussão também envolve o futuro do aterro sanitário. A secretária afirmou que o município deverá contratar uma empresa especializada para avaliar a melhor alternativa de destinação dos resíduos e indicou que a operação de uma estrutura própria exigiria uma solução com participação da iniciativa privada, como uma parceria público-privada.
Atualmente, conforme relatado na entrevista, o lixo de Araxá que precisa de destinação em aterro sanitário é transportado para Uberaba, onde existe uma unidade licenciada e apta a receber os resíduos. Para a secretária, o transporte representa um custo importante para o município.
Coleta seletiva ainda é um dos principais desafios
A coleta de materiais recicláveis foi outro ponto de atenção. Questionada por um ouvinte sobre a regularidade do serviço, Ana Tereza reconheceu que a coleta seletiva ainda não funciona da maneira esperada pela administração municipal.
Segundo ela, a Prefeitura fornece caminhões e motoristas, enquanto os coletores são vinculados às associações responsáveis pelo serviço. A secretaria estuda a contratação de uma empresa para ampliar e organizar a coleta seletiva no futuro, dependendo da disponibilidade de recursos. “Coleta seletiva é o futuro, tá. E a gente hoje não consegue reciclar 3% do que é gerado na cidade.”
O dado apresentado pela secretária reforça um desafio que também aparece no cenário nacional. Segundo o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2025, da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (ABREMA), o país gerou 81,6 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos em 2024. Desse total, cerca de 7,1 milhões de toneladas de resíduos secos foram encaminhadas para reciclagem, o equivalente a 8,7% do volume gerado.
Consulte o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2025, da ABREMA
Em Araxá, iniciativas recentes da própria Prefeitura mostram que há espaço para ampliar esse percentual. Em 2025, um projeto-piloto de coleta de recicláveis em escolas municipais arrecadou 951 quilos de materiais em apenas quatro semanas. Na ocasião, o município informou que a taxa de reciclagem local era inferior a 10%. Veja os dados do projeto de coleta seletiva da Prefeitura de Araxá
Ecoponto também enfrenta descarte irregular
Durante a entrevista, a secretária chamou atenção para o uso inadequado do ecoponto localizado próximo à Câmara Municipal. O espaço, criado para receber materiais recicláveis, também estaria sendo utilizado para descarte de lixo comum e até animais mortos.
Segundo Ana Tereza, a situação compromete a finalidade do local e pode levar à necessidade de mudanças na forma de funcionamento. O espaço possui estruturas para separação dos materiais, mas a utilização inadequada aumenta os custos de manutenção e fiscalização. “Você está encontrando de tudo, resto de alimentos, está encontrando de tudo. Cinquenta por cento só, e olha lá, está sendo de lixo reciclável.”
O problema não é exclusivo de Araxá. Uma pesquisa Datafolha divulgada pela ABREMA em 2024 mostrou que 33% dos brasileiros que afirmavam ter acesso à coleta seletiva não separavam os resíduos recicláveis em casa. O levantamento ouviu 2.010 pessoas em 112 municípios brasileiros.
Coleta de lixo deve ser discutida no futuro
A coleta convencional, segundo a secretária, apresentou melhora e não estaria registrando atualmente grandes pontos de acúmulo. Ainda assim, a quantidade de resíduos produzida pela população representa um desafio para a operação.
Ana Tereza afirmou que Araxá possui coleta diária e que o volume de lixo é especialmente elevado às segundas-feiras. Diante desse cenário, a Prefeitura avalia a possibilidade de estudar, futuramente, um modelo de coleta alternada para os chamados pequenos geradores, ou seja, a população em geral.
A mudança, porém, ainda está em fase de discussão. A secretária ressaltou que estabelecimentos como restaurantes possuem uma dinâmica diferente de geração de resíduos e precisariam de tratamento específico.
Recuperação de áreas públicas
A Secretaria de Serviços Urbanos também mantém ações de manutenção de praças, canteiros e demais espaços públicos. Entre os trabalhos citados está a reforma de pequenas praças utilizando servidores da própria pasta, sem contratação de empresa para a execução.
Um dos pontos em obras é o canteiro central do viaduto da Avenida João Paulo II. A intenção é ampliar a intervenção ao longo do trecho e melhorar a estrutura utilizada pela população.
A limpeza urbana também foi apontada como uma área em que a secretaria conseguiu avançar. Segundo Ana Tereza, a criação de cronogramas e a passagem das equipes por locais que anteriormente recebiam pouca manutenção ajudaram a reduzir o tamanho do mato durante o período chuvoso.
Demandas dos moradores
Durante a entrevista, moradores participaram do programa com reclamações e pedidos relacionados a buracos, iluminação, drenagem, varrição e sinalização. Entre os locais citados estavam ruas dos bairros Santo Antônio, Serra Morena, Jardim Natal e Alvorada, além de trechos das avenidas do Comboio e Tancredo Neves.
Sobre a Avenida do Comboio, a secretária explicou que a recuperação do asfalto está vinculada a uma obra que recebeu recursos estaduais. A extensão da rede de iluminação deverá ser executada posteriormente. Segundo ela, o processo para contemplar o trecho com iluminação de LED está em andamento e a expectativa apresentada é de contratação até outubro.
Em relação a problemas de erosão e drenagem, Ana Tereza esclareceu que algumas demandas não estão sob responsabilidade direta da Secretaria de Serviços Urbanos e precisam ser avaliadas pela Secretaria de Obras.
Ao final da entrevista, a secretária pediu paciência aos moradores principalmente em relação ao tapa-buraco e destacou que a pasta trabalha para ampliar as ações de limpeza e manutenção. “A expectativa é conseguir avançar no quesito limpeza urbana. Eu peço paciência para a população no que se toca em tapa-buraco.”
Segundo Ana Tereza, cerca de 300 servidores da Prefeitura estão ligados diretamente à estrutura da Secretaria de Serviços Urbanos, além de aproximadamente 500 trabalhadores terceirizados envolvidos diretamente com os serviços de limpeza. Ela ressaltou que a execução das ações depende do trabalho conjunto das equipes responsáveis pela varrição, coleta, manutenção, iluminação e demais serviços urbanos.