Iniciativa do curso de Enfermagem do Uniaraxá reúne estudantes, profissionais e familiares para abordar temas relacionados à gestação, parto, amamentação e cuidados com o recém-nascido
O projeto Maternar, desenvolvido pelo curso de Enfermagem do Uniaraxá, promove em Araxá encontros gratuitos voltados à orientação, informação e acolhimento de gestantes e familiares durante o período que antecede e acompanha a chegada de um bebê. A iniciativa integra as atividades de extensão e tem como proposta reunir diferentes áreas profissionais para abordar as diversas etapas do ciclo gravídico-puerperal.
Segundo a professora e coordenadora do projeto, Renata Pereira Lima, a escolha das gestantes como público do projeto está diretamente relacionada à necessidade de um atendimento que envolva diferentes conhecimentos. "A ideia foi montar um grupo de gestantes para a comunidade araxaense, aberto a toda a população, onde as mulheres gestantes podem participar e também os pais, os avós, as tias e aquelas que querem gestar."
A proposta é criar um espaço de troca de experiências e aprendizado, com participação ativa dos estudantes de Enfermagem e de profissionais convidados. Entre os assuntos previstos estão pré-natal, parto, puerpério, amamentação, higiene e cuidados com o recém-nascido, além de aspectos emocionais relacionados à maternidade.
O Ministério da Saúde destaca que o pré-natal deve começar preferencialmente até a 12ª semana de gestação e ser acompanhado de forma contínua. Além do acompanhamento clínico, o atendimento deve contemplar aspectos psicossociais e ações educativas e preventivas.
Amamentação e cuidados com o bebê
Entre as principais dúvidas identificadas pela equipe do projeto estão aquelas relacionadas à amamentação. De acordo com Renata, ainda existem muitos mitos e inseguranças entre as mulheres que estão se preparando para o nascimento do bebê. "A maioria das dúvidas que as mães ainda têm é a questão da amamentação. A amamentação ainda é um mito, em que as pessoas pensam que não vão conseguir."
O tema também tem relevância nas políticas de saúde pública. O Ministério da Saúde recomenda o aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses de vida e a continuidade da amamentação até os dois anos ou mais, com a introdução de outros alimentos adequados a partir dos seis meses.
Dados divulgados pelo Ministério da Saúde em agosto de 2026 apontam que 57% dos bebês de até seis meses acompanhados pela Atenção Primária do SUS estavam em aleitamento materno exclusivo em 2025. O levantamento parcial de 2026 indica uma taxa de 59%. Já o Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI-2019), de abrangência nacional, registrou 45,8% de aleitamento materno exclusivo entre crianças brasileiras nessa faixa etária.
Acesse as orientações do Ministério da Saúde sobre amamentação para consultar recomendações e informações sobre o tema.
Atenção também ao período pós-parto
O projeto também dedica espaço ao puerpério, período de adaptação após o nascimento, que envolve mudanças físicas e emocionais para a mulher. Para Renata, esse momento precisa ser tratado com atenção, principalmente diante do cansaço, da privação de sono e das novas responsabilidades. "O pós-parto é muito intenso, é onde a mulher não dorme, onde ela está com todos os esforços físicos e emocionais muito à flor da pele. Então a gente vai trabalhar muito essa questão do puerpério."
A preocupação com a saúde emocional faz parte das recomendações oficiais. O Ministério da Saúde alerta que a depressão pós-parto pode estar associada, entre outros fatores, à privação de sono, ao isolamento e à falta de apoio familiar ou do parceiro. O acompanhamento e o tratamento podem ser realizados pelo Sistema Único de Saúde.
Além das orientações teóricas, os participantes terão contato com informações práticas sobre banho, troca, higiene, formas de demonstrar afeto e cuidados cotidianos com o recém-nascido. A intenção é preparar não apenas a gestante, mas também as pessoas que estarão próximas dela durante esse período.
Encontros gratuitos e participação da família
A iniciativa é aberta à comunidade e não exige pagamento. De acordo com a estudante de Enfermagem Laís Matheus, os encontros também são transmitidos pela internet para ampliar o acesso às informações. "Todo o nosso projeto vai ser totalmente gratuito e super acessível, porque a gente vai transmitir por live no Instagram, no mesmo horário que começar presencialmente."
A programação também prevê a participação de profissionais de diferentes áreas, como médicos, nutricionistas e advogados. O objetivo é ampliar a abordagem sobre a gestação e oferecer informações que vão além dos cuidados diretamente relacionados à saúde do bebê.
O primeiro encontro citado durante a entrevista ocorre nesta segunda-feira, às 19h, no Tribunal do Júri, com participação da enfermeira Ana Luíza, doula e pós-graduanda em enfermagem obstétrica. O tema inclui acolhimento, pré-natal e primeiros cuidados com o bebê.
A participação da família também é incentivada. Pais, avós, tias e outras pessoas que acompanham a gestante podem participar dos encontros, reforçando a proposta de construir uma rede de apoio em torno da mulher e do bebê.
Durante a entrevista, Laís também explicou o papel da doula. Segundo ela, esse profissional acompanha a gestante durante o ciclo gravídico e oferece suporte, especialmente relacionado a movimentos, posições e conforto durante o trabalho de parto, dentro de sua área de atuação. "A doula é aquele profissional capacitado que acompanha a gestante em todo o seu ciclo gravídico."
O projeto Maternar pretende, assim, aproximar o conhecimento produzido dentro da universidade das necessidades da comunidade, utilizando a participação dos estudantes e de profissionais de diferentes áreas para transformar dúvidas comuns da gestação em informação e orientação acessíveis.