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Postado em: 31/07/2026 - 16:16 Última atualização: 31/07/2026 - 16:17
Por: Caio César/Edvaldo Gomes - Portal Imbiara

Veterinária de Araxá alerta para os riscos da esporotricose e reforça cuidados com cães, gatos e tutores

Programa Vida de Pet esclareceu dúvidas sobre a zoonose e reforçou medidas para reduzir os riscos de contágio entre animais e pessoas

A Dra. Letícia Cardoso também é apresentadora do programa Vida de PET. Foto: Caio César/Portal Imbiara

A esporotricose, doença causada por um fungo que pode ser transmitida dos animais para os seres humanos, foi o tema do programa Vida de Pet, da Rádio Imbiara, nesta sexta-feira (31). Durante a atração, a médica-veterinária Dra. Letícia Cardoso explicou como ocorre a transmissão, os principais sintomas, as formas de diagnóstico, o tratamento e as medidas de prevenção.

Segundo a especialista, a esporotricose é uma zoonose causada pelo fungo Sporothrix schenckii, presente naturalmente no solo e em matéria orgânica em decomposição. O fungo pode infectar pessoas durante atividades como jardinagem, mas a principal forma de transmissão ocorre por meio de gatos contaminados. "O gato é o principal transmissor porque tem o hábito de enterrar fezes e urina na terra, contaminando as unhas. Quando ele arranha ou morde outro animal ou uma pessoa, o fungo pode penetrar na pele e causar a infecção", explicou. Embora os cães também possam desenvolver a doença, os casos são menos frequentes devido às características das unhas e ao comportamento desses animais.

Nos gatos, as lesões costumam aparecer principalmente no rosto, no pescoço e nas patas, apresentando feridas arredondadas que podem evoluir para úlceras com secreção. Nos cães, os sintomas são semelhantes, mas variam conforme a região afetada. Nos seres humanos, a doença geralmente provoca nódulos avermelhados que se espalham ao longo dos vasos linfáticos, formando lesões em sequência. A veterinária destacou que pessoas com baixa imunidade, como gestantes, idosos, pacientes imunossuprimidos e pessoas com doenças crônicas, apresentam maior risco de desenvolver formas mais graves da doença.

O exame mais utilizado para o diagnóstico é a citologia, considerada rápida, acessível e de baixo custo. Quando necessário, também podem ser solicitados exames como biópsia (histopatológico), cultura do fungo e PCR. Em alguns casos, mesmo sem confirmação laboratorial, o médico-veterinário pode recorrer ao chamado teste terapêutico, iniciando o tratamento diante de uma forte suspeita clínica.

 

O tratamento é realizado principalmente com medicamentos antifúngicos, como o itraconazol, e pode durar vários meses. A veterinária alertou que o tratamento não deve ser interrompido quando as lesões desaparecem. "Mesmo após a cura clínica, o medicamento deve continuar sendo administrado por mais 30 dias para evitar recaídas e o desenvolvimento de resistência ao antifúngico", ressaltou. Durante o tratamento, também é necessário acompanhar a função hepática do animal, já que os medicamentos podem causar alterações no fígado.

Entre as principais orientações para prevenir a doença estão manter os gatos dentro de casa, impedir que tenham acesso às ruas, passear com os cães sempre utilizando guia e evitar o contato dos animais com gatos desconhecidos ou em situação de rua. Caso um animal seja diagnosticado com esporotricose, a recomendação é mantê-lo isolado dos demais durante o tratamento para reduzir o risco de transmissão por arranhões e mordidas.

Os tutores também devem utilizar equipamentos de proteção, como luvas e, quando necessário, jaleco e máscara, ao manipular animais infectados, especialmente durante a administração de medicamentos. Apesar de a doença ser transmitida dos animais para as pessoas, a veterinária esclareceu que a transmissão direta entre seres humanos é considerada extremamente rara.

Por fim, a especialista reforçou que, diante do surgimento de feridas persistentes em cães ou gatos, o tutor deve procurar atendimento veterinário o quanto antes para que seja realizado o diagnóstico e iniciado o tratamento adequado, aumentando as chances de cura e reduzindo o risco de transmissão da doença.