Os indicadores disponíveis permitem traçar um panorama consistente do comportamento da economia estadual ao longo da primeira metade do ano
O primeiro semestre de 2026 apresentou um cenário de desaceleração para a economia de Minas Gerais quando comparado ao desempenho nacional. Segundo a Fundação João Pinheiro (FJP), órgão responsável pelo cálculo oficial do Produto Interno Bruto (PIB) estadual em parceria com o IBGE, o PIB mineiro somou R$ 285,7 bilhões no primeiro trimestre, registrando retração de 0,5% em relação ao trimestre imediatamente anterior, enquanto a economia brasileira cresceu 1,1% na mesma base de comparação. Embora os dados consolidados do segundo trimestre ainda não tenham sido divulgados, os indicadores disponíveis permitem traçar um panorama consistente do comportamento da economia estadual ao longo da primeira metade do ano.
A maior contribuição negativa veio da agropecuária, que sofreu forte retração de 9,9% na comparação com o trimestre anterior e de 15,6% em relação ao mesmo período de 2025. O desempenho foi influenciado principalmente pela menor produção de importantes culturas agrícolas, refletindo fatores climáticos e a elevada base de comparação do ano anterior, quando o setor apresentou desempenho excepcional. Apesar disso, a agropecuária continua sendo estratégica para Minas Gerais, tanto em relação às exportações do Estado, quanto pela relevância econômica e também pela forte integração com a indústria alimentícia.
No setor industrial, o comportamento foi heterogêneo. A indústria como um todo recuou 0,5%, pressionada principalmente pela queda de 5,4% na indústria extrativa e de 0,2% na construção civil, embora parte dessas perdas tenha sido compensada pelo crescimento da indústria de transformação (0,4%) e dos segmentos de energia elétrica, saneamento e utilidades públicas (0,9%) na comparação trimestral. Já na comparação com o mesmo período do ano anterior, a indústria extrativa manteve resultado positivo (4,1%), demonstrando que a mineração continua sendo um dos pilares da economia mineira, especialmente em razão da produção de minério de ferro.
O principal destaque positivo voltou a ser o setor de serviços, responsável pela maior parcela da riqueza produzida em Minas Gerais. O segmento avançou 0,7% frente ao trimestre anterior e 1,5% na comparação anual, impulsionado pelo crescimento do comércio (1,9%), dos chamados "outros serviços" (1,8%), da administração pública (0,8%) e dos transportes (0,3%), conforme os índices verificados no referido período. Em valores absolutos, os serviços responderam por aproximadamente R$ 160,1 bilhões do PIB estadual, confirmando sua posição como principal motor da economia mineira.
Outro indicador que merece destaque é a participação de Minas Gerais na economia nacional. Em 2025, o Estado respondeu por aproximadamente 9,1% do PIB brasileiro, consolidando-se como uma das principais economias do país, atrás apenas de São Paulo. O desempenho também foi favorecido pela forte inserção internacional de Minas, que continua figurando entre os maiores exportadores brasileiros, impulsionado pelas vendas externas de minério de ferro, café, produtos siderúrgicos e do agronegócio, mantendo superávits expressivos na balança comercial durante os primeiros meses de 2026.
Para o segundo semestre de 2026, as perspectivas permanecem moderadamente otimistas. Estudos da FIEMG e da Fundação João Pinheiro projetam crescimento em torno de 1,6% para a economia mineira no fechamento do ano, sustentado principalmente pela recuperação gradual da construção civil, pelos investimentos em infraestrutura, pelo fortalecimento do comércio, dos serviços, da mineração e da indústria de transformação. Em contrapartida, permanecem no radar fatores de risco como os juros ainda elevados, a desaceleração da economia chinesa — importante compradora de commodities minerais —, além das incertezas climáticas que podem afetar novamente a agropecuária.
Em síntese, o primeiro semestre de 2026 evidenciou que a economia mineira atravessa um período de acomodação após anos de crescimento consistente. Enquanto agropecuária e parte da indústria perderam dinamismo, os serviços, a mineração e o comércio continuam exercendo papel fundamental na sustentação da atividade econômica. Para empresários, trabalhadores e investidores, acompanhar esses movimentos será essencial para identificar oportunidades em setores que tendem a concentrar investimentos e geração de empregos na segunda metade do ano.