Levantamento desenvolvido por estudantes do IFMG Campus Bambuí identificou registros da doença no município entre 2021 e 2025
Um levantamento realizado pelo Grupo de Extensão do Curso de Medicina Veterinária do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG) – Campus Bambuí acende um alerta para a hantavirose em Araxá. A pesquisa, baseada em dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), identificou notificações da doença no município entre os anos de 2021 e 2025, reforçando a importância da prevenção, principalmente durante o período seco.
O estudo foi desenvolvido pelos estudantes Artur Porfírio Teixeira, Ester Helena dos Santos Campos Costa, Jéssica Estéfane Aparecida Silva Cal e Pedro William Maia, integrantes do Grupo de Extensão do Curso de Medicina Veterinária do IFMG Campus Bambuí.
De acordo com o levantamento, o maior número de notificações foi registrado em 2022, com dez casos notificados. Em 2023 e 2025, foram contabilizadas sete notificações em cada ano. Os homens representaram 58,1% dos registros, enquanto a faixa etária mais atingida foi a de pessoas entre 40 e 49 anos, seguida pelos grupos de 30 a 39 anos e de 50 a 59 anos.


Segundo os pesquisadores, esse perfil está relacionado à maior exposição durante atividades rurais, agrícolas e de armazenamento de grãos, ambientes onde há maior possibilidade de contato com roedores silvestres.
A hantavirose é uma doença viral transmitida principalmente pela inalação de partículas presentes na urina, fezes ou saliva de roedores infectados. Durante o período seco, o risco aumenta porque a poeira facilita a dispersão dessas partículas, especialmente em galpões, paióis, depósitos, silos e imóveis fechados por longos períodos.
O levantamento mostra ainda que as notificações ocorreram ao longo de todo o ano, embora junho e novembro tenham concentrado o maior número de registros. Os pesquisadores destacam, no entanto, que o risco existe em qualquer época, sempre que houver exposição a ambientes frequentados por roedores.
A doença costuma começar com sintomas semelhantes aos de uma gripe ou da dengue, como febre, dores no corpo, dor de cabeça, cansaço, náuseas e vômitos. Em casos graves, pode evoluir rapidamente para falta de ar, insuficiência respiratória e comprometimento do sistema cardiovascular.
Como não existe tratamento específico para eliminar o vírus, o diagnóstico precoce e o atendimento médico imediato são fundamentais para aumentar as chances de recuperação.
Entre as principais medidas de prevenção estão ventilar ambientes fechados antes da limpeza, umedecer pisos e superfícies com água e desinfetante antes de limpar, evitar varrer a seco, armazenar corretamente alimentos e grãos, eliminar entulhos e vedar frestas que possam servir de abrigo para roedores.
Em Araxá, a Secretaria Municipal de Saúde informou que mantém ações permanentes por meio do Setor de Zoonoses, com monitoramento da doença, investigação de casos suspeitos, controle de roedores e orientação à população sobre medidas preventivas.
Os pesquisadores reforçam que conhecer os riscos e adotar cuidados simples pode evitar a exposição ao vírus e reduzir a ocorrência de casos da doença no município.
