Pró-reitor José Oscar de Mello destaca legado de quase 54 anos da instituição
Em um cenário cada vez mais competitivo no ensino superior brasileiro, marcado pela expansão de grandes grupos educacionais e pela crescente disputa por alunos, o Centro Universitário do Planalto de Araxá (Uniaraxá) aposta em uma estratégia diferente: fortalecer a qualidade acadêmica, ampliar a integração com a comunidade e reforçar sua missão histórica de contribuir para o desenvolvimento regional.
Durante entrevista ao programa Conexão Imbiara – Economia e Negócios, o pró-reitor de Ensino, Pesquisa e Extensão, professor José Oscar de Mello, fez uma ampla análise sobre o papel da instituição, os desafios enfrentados pelo setor educacional e os caminhos para garantir a continuidade de uma universidade que, em agosto, completa 54 anos de atuação.
Instituição nasceu para atender a região
José Oscar relembrou que o Uniaraxá foi concebido ainda no final da década de 1960, em um movimento liderado por autoridades, empresários e representantes da sociedade preocupados com a necessidade de oferecer ensino superior no município e evitar que os jovens precisassem deixar Araxá em busca de formação.
As primeiras aulas aconteceram em 28 de agosto de 1972. Desde então, a instituição mantém a proposta original de atender às demandas da comunidade.
"Somos uma instituição criada para servir a sociedade. Ao longo desses quase 54 anos, procuramos sempre responder às necessidades da nossa região e formar profissionais preparados para fazer a diferença", destacou.
Atualmente, o Uniaraxá atende estudantes de toda a microrregião, abrangendo municípios como Ibiá, Tapira, Perdizes, Sacramento, Campos Altos e Santa Juliana. Além disso, por meio da educação a distância, a instituição ultrapassou as fronteiras mineiras e possui alunos em outros estados, incluindo Bahia e Ceará.
Mais que ensino: pesquisa, extensão e transformação social
Segundo o pró-reitor, o trabalho desenvolvido pelo Uniaraxá vai muito além da formação profissional.
Como responsável pela Pró-Reitoria de Ensino, Pesquisa e Extensão, José Oscar explicou que uma das principais funções do setor é garantir a excelência acadêmica e promover a integração entre ensino, pesquisa e ações voltadas para a comunidade.
Além da graduação e pós-graduação, a instituição desenvolve projetos sociais, incentiva a iniciação científica, mantém parcerias com órgãos de fomento e realiza atividades voltadas para crianças, adolescentes e idosos.
"Nosso objetivo é transformar conhecimento em benefício para a sociedade. Os projetos surgem das demandas da própria comunidade e procuram oferecer respostas para problemas reais", explicou.
Ao longo de sua história, mais de 15 mil profissionais foram formados pelo Uniaraxá, muitos deles ocupando posições de destaque em empresas, órgãos públicos e instituições da região.
Estrutura sem fins lucrativos
O pró-reitor explicou que o Uniaraxá é mantido pela Fundação Cultural de Araxá, entidade sem fins lucrativos responsável pela gestão patrimonial e financeira.
A instituição possui uma estrutura composta pelo Conselho Universitário, Reitoria, Pró-Reitoria de Ensino, Pesquisa e Extensão e Pró-Reitoria de Planejamento e Administração Financeira, além das coordenações e setores administrativos.
Segundo José Oscar, ajustes organizacionais recentes foram realizados com o objetivo de assegurar a sustentabilidade financeira e garantir a continuidade das atividades.
"O compromisso é preservar a instituição para as futuras gerações, sempre mantendo a qualidade e a responsabilidade com os recursos disponíveis", afirmou.
Concorrência com grandes grupos preocupa instituições comunitárias
Um dos pontos mais enfáticos da entrevista foi a preocupação com o avanço dos grandes conglomerados educacionais.
José Oscar destacou que o mercado é legítimo e faz parte da livre concorrência, mas observou que instituições comunitárias, voltadas para atender às necessidades locais, enfrentam dificuldades diante de empresas que trabalham com escala nacional e estratégias agressivas de captação.
Segundo ele, a educação não pode ser tratada apenas como produto.
"O Uniaraxá nunca praticou o chamado ensino de varejo. Nossa preocupação sempre foi formar pessoas e atender às necessidades da sociedade, e não apenas seguir estratégias empresariais", afirmou.
Ele comparou a situação à concorrência entre uma farmácia familiar e grandes redes nacionais, ressaltando que instituições comunitárias precisam de mecanismos que garantam sua sobrevivência e evitem a concentração do ensino superior.
Municipalização do ensino superior entra no debate
Durante a entrevista, José Oscar apresentou uma proposta que, segundo ele, merece ser discutida pelas lideranças locais: a possibilidade de municipalização do ensino superior por meio de modelos semelhantes aos adotados em outras cidades.
O pró-reitor citou como exemplo a Faculdade de Direito de Franca, em São Paulo, estruturada sob o modelo de autarquia municipal, além de instituições públicas consolidadas em outras regiões do país.
Segundo ele, um sistema dessa natureza poderia garantir maior estabilidade, fortalecer a educação superior e ampliar o acesso dos estudantes, sem necessariamente gerar custos adicionais ao município.
Na visão do professor, uma estrutura integrada permitiria acompanhar o estudante desde a educação infantil até a graduação, fortalecendo a formação de profissionais qualificados e contribuindo para o desenvolvimento local.
Conexão Araxá quer aproximar universidade e sociedade
Como parte desse processo de fortalecimento institucional, o Uniaraxá prepara uma das principais iniciativas dos últimos anos.
Marcado para 19 de setembro, o projeto Conexão Araxá 2026 será realizado no campus da instituição e pretende aproximar ainda mais a universidade da comunidade.
A proposta é reunir estudantes, professores, empresas, órgãos públicos, entidades da sociedade civil e instituições parceiras em um grande ambiente de troca de experiências e desenvolvimento.
"O Conexão Araxá busca transformar o conhecimento acadêmico em impacto real, aproximando universidade, sociedade e desenvolvimento regional", explicou.
O evento contará com a participação de empresas, entidades como Sebrae e Acia, além de instituições parceiras e diversos setores da sociedade.
A expectativa é proporcionar experiências práticas aos estudantes, fortalecer o relacionamento com o mercado e ampliar a empregabilidade dos futuros profissionais.
Quase 54 anos de história e olhar voltado para o futuro
Ao encerrar a entrevista, José Oscar destacou que a trajetória do Uniaraxá é resultado do trabalho coletivo de professores, funcionários, estudantes e dirigentes que ajudaram a construir a instituição ao longo de mais de cinco décadas.
Ele ressaltou que o compromisso continua sendo formar profissionais capazes de transformar a sociedade.
"Enquanto professores, procuramos fazer a diferença na vida dos nossos alunos para o bem. O ensino não transforma apenas quem estuda. Ele muda a vida da família e impacta toda a sociedade."
Próximo de completar 54 anos, o Uniaraxá aposta em inovação, integração com a comunidade e fortalecimento de sua identidade regional para enfrentar os desafios de um setor em constante transformação, mantendo vivo o propósito que deu origem à instituição em 1972: ser uma universidade construída para atender às necessidades de Araxá e de toda a região.