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Postado em: 18/06/2026 - 10:30 Última atualização: 18/06/2026
Por: Caio César/Rogério Farah - Portal Imbiara

Sabesp e Copasa: Rogério Farah comenta o que a privatização em São Paulo revela sobre o futuro de Minas

Com resultados concretos da desestatização paulista, especialistas analisam impactos, desafios e expectativas para a venda da estatal mineira

Comparação com a Sabesp ajuda a projetar os possíveis efeitos da desestatização do saneamento em Minas Gerais. Foto gerada por IA

A comparação entre a Sabesp, já privatizada desde julho de 2024, e a Copasa, que apenas recentemente recebeu autorização legislativa para iniciar seu processo de desestatização em Minas Gerais, oferece um importante laboratório para avaliar os possíveis impactos econômicos e sociais da transferência do controle de companhias de saneamento para a iniciativa privada. Enquanto São Paulo já apresenta resultados concretos, Minas ainda trabalha com projeções e expectativas. Por isso, qualquer análise comparativa deve considerar que a Copasa continua em uma fase pré-operacional da privatização, ao contrário da Sabesp, cujos indicadores já podem ser observados na prática. Essa tema foi comentado por Rogério Farah durante o programa Imbiara Notícias, da Rádio Imbiara 91,5 FM, desta quinta-feira (18).

No caso paulista, os principais números divulgados após a desestatização apontam para uma aceleração significativa dos investimentos. Segundo dados oficiais, a Sabesp investiu mais de R$ 10 bilhões em seu primeiro ano sob o novo modelo, superando metas de expansão da rede de água e esgoto e antecipando para 2029 a universalização do saneamento, originalmente prevista para 2033 pelo Marco Legal do Saneamento. A empresa também ampliou programas de tarifa social e aumentou o número de ligações domiciliares, especialmente em áreas periféricas e municípios historicamente carentes de infraestrutura.

Sob a ótica financeira, a privatização fortaleceu a capacidade de investimento da Sabesp sem depender diretamente do orçamento estadual. Defensores do modelo argumentam que o acesso ampliado ao mercado de capitais e a adoção de práticas de gestão voltadas para eficiência operacional contribuíram para acelerar obras e melhorar indicadores de atendimento. Os resultados iniciais têm sido utilizados por governos estaduais e investidores como um dos principais argumentos favoráveis à privatização de empresas de saneamento em outras unidades da federação.

A situação da Copasa, entretanto, apresenta algumas diferenças importantes. Mesmo permanecendo estatal até o momento da efetiva transferência de controle, a companhia já vinha registrando resultados financeiros robustos e crescimento dos investimentos. Dados do Governo de Minas mostram que a empresa superou R$ 2 bilhões em investimentos em 2024 e registrou expansão de aproximadamente 46% nos aportes realizados no primeiro trimestre de 2025 em comparação ao mesmo período do ano anterior, indicando que a estatal possui capacidade relevante de geração de caixa mesmo antes da privatização.

Entre as críticas levantadas por especialistas, sindicatos e movimentos sociais em Minas Gerais está justamente o questionamento sobre a necessidade de privatizar uma companhia considerada financeiramente saudável. Outro ponto recorrente refere-se ao receio de aumento tarifário em regiões de menor densidade populacional, especialmente no Norte de Minas, Vale do Jequitinhonha e pequenos municípios onde a rentabilidade tende a ser menor. Pesquisas de opinião divulgadas durante a tramitação legislativa indicaram que cerca de 57% dos mineiros eram contrários à privatização da Copasa, refletindo preocupações relacionadas ao acesso universal e ao controle público de um serviço essencial.

Do ponto de vista social, a experiência da Sabesp sugere que a existência de metas contratuais rigorosas, fiscalização regulatória eficiente e programas robustos de tarifa social são fatores determinantes para que a população mais vulnerável seja beneficiada pela mudança de gestão. Caso Minas Gerais consiga reproduzir mecanismos semelhantes, a privatização da Copasa poderá resultar em expansão mais rápida da cobertura de água e esgoto, principalmente em localidades que ainda apresentam déficits históricos de saneamento. Entretanto, se a regulação não acompanhar a velocidade da transformação societária, permanecem riscos relacionados à modicidade tarifária, à qualidade dos serviços e à priorização de áreas mais rentáveis em detrimento das regiões mais pobres.

Em uma perspectiva de curto prazo, a tendência é que a Copasa atraia interesse do mercado e amplie sua capacidade de captação de recursos, como ocorreu com a Sabesp. No médio prazo, o principal indicador a ser observado será a evolução dos investimentos efetivamente realizados e o ritmo de expansão das redes de água e esgoto. Já no longo prazo, o verdadeiro critério de sucesso será a capacidade de universalizar o saneamento sem comprometer a acessibilidade econômica do serviço, especialmente para as famílias de baixa renda, conciliando eficiência empresarial com a função social inerente ao abastecimento de água e ao tratamento de esgoto.