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Postado em: 12/06/2026 - 09:52 Última atualização: 12/06/2026 - 10:14
Por: Alex Sander Xexéu - Portal Imbiara

Lavagem da praça abre 60º Encontro de Congadeiros e reforça a importância da ancestralidade em Araxá

Representantes da cultura afro-brasileira destacam fé, tradição, resistência e a necessidade de preservar a história para as novas gerações

O 60º Encontro de Congadeiros reúne apresentações culturais, celebrações religiosas, shows e a participação de dezenas de ternos de Araxá e região. Foto: Alex Xexéu

A tradicional lavagem da praça marcou a abertura oficial do 60º Encontro de Congadeiros de Araxá, na noite desta quinta-feira (11), no bairro São Pedro. A cerimônia reuniu ternos de Congado e Moçambique, lideranças culturais e a comunidade, dando início a uma programação que segue até domingo.

Presidente do Instituto Afrobeja, Rodrigo Fonseca explicou que a lavagem da praça tem origem em uma tradição conhecida nacionalmente, realizada nas escadarias da Igreja do Senhor do Bonfim, em Salvador. Segundo ele, o ato representa purificação e acolhimento das boas energias para o início das festividades.

“A água é extremamente importante para nós. Os povos de matriz africana louvam a natureza em todos os seus elementos: terra, água, fogo e ar. Lavar a praça é um ato de limpeza para receber a energia desses santos maravilhosos que abençoam todo o povo do Congado e do Moçambique”, afirmou.

Rodrigo também chamou atenção para a necessidade de ampliar o conhecimento da população sobre as tradições afro-brasileiras. Durante o evento, ele conversou com jovens que passavam pelo local e não conheciam o significado da celebração.

“Um casal de estudantes chegou perguntando o que estava acontecendo. Quando explicamos a eles o significado da cerimônia e da festa, ficaram encantados. É justamente isso que precisamos fazer: falar mais sobre nossa cultura, mostrar mais o que fazemos e aproximar as pessoas dessa história”, disse.

Para o presidente do Instituto Afrobeja, a celebração vai além da religiosidade e representa um momento de reverência aos ancestrais.

Congadeiros e moçambiqueiros participaram da abertura das festividades que seguem até domingo no bairro São Pedro. Foto: Alex Xexéu 

“O momento de retirar a terra do chão, de cantar e celebrar é uma forma de reverenciar todos os nossos ancestrais que vieram antes de nós e toda a sabedoria que eles deixaram para as futuras gerações”, destacou.

Também presente na abertura, o vereador Professor Jales André ressaltou a importância do incentivo à cultura popular e lembrou que o evento recebeu apoio por meio de recursos destinados pelo Ministério da Cultura.

“Ficamos muito felizes de participar da 60ª Festa de Congados e Moçambiques de Araxá. É uma festa que preserva uma parte fundamental da nossa história e da nossa identidade”, afirmou.

Segundo ele, investir em cultura significa fortalecer diversas áreas da sociedade.

“Quando valorizamos a cultura, valorizamos também a saúde, a educação e o lazer. Quando um povo tem sua cultura respeitada e seu jeito de ser reconhecido, ele se fortalece. A cultura harmoniza toda a formação humana”, destacou.

Jarlis também ressaltou que o Congado e o Moçambique representam uma das expressões mais profundas da ancestralidade brasileira.

“Essa festa traz a ancestralidade da cultura brasileira. É uma celebração que nos conecta com nossas raízes e ajuda a manter viva uma tradição que atravessa gerações”, disse.

A capitã do Terno Moçambique Raiz Africana, Cleonice Santos, destacou a emoção de participar das comemorações dos 60 anos da festa e convidou toda a população para acompanhar a programação.

Presidente do Instituto Afrobeja destacou o significado da tradicional lavagem da praça e a importância da preservação da cultura afro-brasileira para as novas gerações. Foto: Alex Xexéu 

“São 60 anos de fé e tradição. É uma festa muito importante para nós e para toda a cidade. Convido o povo de Araxá para participar, prestigiar e conhecer um pouco mais da nossa cultura”, afirmou.

Ela lembrou que o domingo será o principal dia das festividades, com a presença de cerca de 45 ternos vindos de várias cidades da região.

“Vamos receber grupos de diversos municípios para celebrar conosco esse momento tão especial. Teremos procissão, almoço nas casas dos festeiros, apresentações e o encerramento da festa. Será um dia muito importante para todos nós”, disse.

Ao falar sobre o significado da celebração, Cleonice reforçou a importância da resistência e da valorização da história do povo negro.

Professor Jales André, Vereador ressaltou a importância dos investimentos em cultura e afirmou que a valorização das tradições fortalece a educação, o lazer e a identidade do povo brasileiro. Foto: Alex Xexéu 

“Nós somos resistência. Somos filhos, netos e bisnetos de pessoas que sofreram muito para que hoje pudéssemos estar aqui contando essa história. Não podemos ter vergonha das nossas origens. Precisamos ter força, fé e orgulho da nossa história”, destacou.

O 60º Encontro de Congadeiros segue até domingo no bairro São Pedro com apresentações culturais, shows musicais, cortejos e manifestações religiosas que celebram a fé, a tradição e a contribuição da cultura afro-brasileira para a formação da identidade de Araxá e do Brasil.

Cleonice Santos, Capitã do Terno Moçambique Raiz Africana convidou a população para participar das festividades e destacou os 60 anos de fé, tradição e resistência do Congado em Araxá. Foto: Alex Xexéu