De acordo com a coordenadora da Vigilância em Saúde, o município Município já castrou mais de 11 mil animais
A crescente presença de animais de estimação nos lares brasileiros reflete uma mudança no comportamento da sociedade, em que cães e gatos passam a ocupar, muitas vezes, o lugar de membros da família. Em Araxá, esse cenário também se confirma, acompanhado por avanços nas políticas públicas voltadas à causa animal — embora desafios importantes ainda persistam, especialmente em relação ao abandono. Em entrevista ao programa Vida de Pet, da Rádio Imbiara FM, a coordenadora da Vigilância em Saúde, Leninha Severo, destacou que o município tem se tornado referência regional no cuidado com os animais. "Estamos no caminho certo", comentou.
Segundo Leninha, desde 2021, diversas ações vêm sendo implementadas em parceria com protetores independentes e instituições. “Recebemos visitas de vários municípios interessados em conhecer nossos projetos. Isso mostra que estamos no caminho certo”, afirmou.
Entre as principais políticas públicas, a castração é considerada essencial, tanto para o controle populacional quanto para a saúde dos animais. De acordo com Leninha, mais de 11 mil cães e gatos já foram castrados em Araxá, sendo mais de 8 mil apenas nos últimos anos. O atendimento segue critérios definidos por um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) firmado com o Ministério Público, com prioridade para animais em situação de rua, animais da zona rural, protetores cadastrados e famílias de baixa renda inscritas no CadÚnico. “Se não houver controle, a população cresce de forma exponencial, principalmente no caso dos gatos, que se reproduzem rapidamente”, explicou.
Apesar dos avanços, o abandono de animais continua sendo o principal desafio. A prática ocorre tanto na área urbana quanto na zona rural, onde muitos animais são deixados em estradas. Outro problema recorrente é a adoção por impulso. “As pessoas se encantam com o filhote, mas, quando ele cresce e exige mais cuidados, acabam desistindo. Isso gera devoluções e até abandono”, relatou a coordenadora. Casos de maus-tratos também são registrados, inclusive envolvendo criadouros clandestinos, e, nesses casos, a atuação ocorre em conjunto com a Polícia Militar e a Polícia Ambiental.

A coordenadora de Vigilância em Saúde, Leninha Severo, com os apresentadores Rogério Farah e Edvaldo Gomes. Foto: Caio César/Portal Imbiara
O município mantém programas de apoio aos protetores, como o fornecimento de ração para animais de rua e a distribuição de roupas em períodos de frio. Atualmente, cerca de 78 protetores estão cadastrados e recebem suporte mediante avaliação técnica. Além disso, são realizadas feiras de adoção responsável, vacinação antirrábica, palestras educativas nas escolas e visitas de acompanhamento aos animais adotados. “Trabalhamos muito a conscientização, principalmente com crianças, para evitar o abandono e incentivar o cuidado responsável”, destacou.
O Canil Municipal enfrenta superlotação, operando com cerca de 200% da capacidade. Mesmo assim, segundo Leninha, o espaço funciona como um hospital veterinário, com estrutura adequada e equipe especializada. Os animais recolhidos recebem tratamento, são castrados e, sempre que possível, encaminhados para adoção.
Interessados em castrar seus animais podem realizar cadastro presencial na Vigilância Ambiental, na Avenida Getúlio Vargas, nº 500. Em breve, o serviço também estará disponível de forma online, por meio da plataforma Colab. A coordenadora reforça que é fundamental manter os dados atualizados. “Muitas vezes, não conseguimos contato porque a pessoa mudou de telefone e não atualizou o cadastro”, alertou.
Para Leninha, o sucesso das políticas públicas depende diretamente da colaboração da população. “O poder público faz a sua parte, mas é preciso responsabilidade individual. Não adianta castrar e depois abandonar ou deixar o animal solto na rua. Cuidar de um pet é um compromisso de longo prazo”, concluiu.