BEM BRASIL
BEM BRASIL
Postado em: 16/04/2026 - 17:11 Última atualização: 16/04/2026 - 17:21
Por: Caio César/Carlos Nunes/Silvio Gonçalves - Portal Imbiara

Araxá ganha protagonismo em projeto internacional de mineração com foco em nióbio e terras raras

Projeto prevê até 300 empregos diretos e mais de mil indiretos na fase operacional

Tiago Amaral é o engenheiro araxaense que está a frente da operação da St George no Brasil. Foto: Caio César/Portal Imbiara

Araxá volta ao centro das atenções do setor mineral com a atuação da St. George Mineração, empresa australiana que, há cerca de um ano e meio, desenvolve projetos no município com foco na exploração de nióbio e terras raras — minerais considerados estratégicos no cenário global.

À frente da operação no Brasil está o engenheiro araxaense Tiago Amaral, de 43 anos, que construiu a trajetória profissional a partir da formação técnica no Cefet de Araxá, graduação em Engenharia Elétrica e pós-graduação em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Com 19 anos de experiência no setor, sendo 17 deles na CBMM, Tiago assumiu o desafio de liderar a implantação da empresa no país após convite recebido diretamente da Austrália.

Segundo ele, a chegada à St. George aconteceu pouco tempo após o desligamento da antiga empresa. “Cerca de 20 dias depois, fui procurado por meio do LinkedIn. A empresa ainda avaliava a aquisição do projeto em Araxá e me convidou para liderar esse processo no Brasil”, relata.

A St. George é uma companhia listada na Bolsa da Austrália e surgiu inicialmente voltada à exploração mineral. Ao longo dos anos, atuou com níquel, cobre e lítio, mas passou a buscar novos ativos considerados mais estáveis e estratégicos no mercado global. Nesse contexto, o projeto de Araxá se destacou. A escolha da cidade foi impulsionada principalmente pelo potencial do nióbio — mineral em que o Brasil é líder mundial — e, posteriormente, pelas terras raras, que ganharam relevância geopolítica e econômica nos últimos anos.

“O nióbio é um mercado consolidado e estável. Já as terras raras passaram a ser vistas como estratégicas no mundo todo, especialmente pela necessidade de diversificar fornecedores e reduzir a dependência de poucos países”, explica Tiago.

Inicialmente adquirido com uma estimativa de 30 milhões de toneladas de minério, o projeto já teve a capacidade revisada para cerca de 95 milhões de toneladas, considerando nióbio e terras raras.

 

Mesmo atuando em um território onde já está instalada a maior produtora mundial de nióbio, a proposta da St. George não é competir diretamente, mas complementar o mercado. “A existência de mais de um fornecedor é fundamental para garantir segurança na cadeia de suprimentos. Isso estimula o crescimento do mercado e evita a dependência de uma única fonte”, destaca o diretor. Segundo ele, grandes empresas globais buscam diversificar seus fornecedores justamente para reduzir riscos e viabilizar novos investimentos e tecnologias.

Atualmente, a St. George conta com cerca de 26 colaboradores diretos em Araxá, com estrutura administrativa e operacional instalada na cidade. A equipe inclui áreas como engenharia, processos e controladoria. A previsão, no entanto, é de crescimento significativo. Quando o projeto entrar em operação, a expectativa é gerar entre 200 e 300 empregos diretos, além de mais de mil postos indiretos.

“Araxá possui um grande capital humano, especialmente na área de mineração. Temos profissionais altamente qualificados, e isso foi essencial para a formação da equipe”, afirma Tiago.

Um dos pilares do projeto é o investimento em tecnologia e na formação de mão de obra local. A empresa firmou parceria com o Cefet para a construção de uma planta piloto voltada ao desenvolvimento de processos minerais. A estrutura será instalada em uma área próxima à instituição e deve começar a operar ainda este ano. A proposta é que o espaço atenda não apenas à St. George, mas também a outros projetos e iniciativas da região.

“Queremos criar um ambiente de inovação que beneficie toda a cadeia produtiva, fortalecendo o desenvolvimento tecnológico local”, explica.


Tiago Amaral com os apresentadores do Conexão Imbiara, Carlos Nunes e Silvio Gonçalves e a assessora de comunicação, Miriam, da St George. Foto: Caio César/Portal Imbiara

O avanço do projeto ocorre em meio a um cenário global marcado por disputas comerciais e geopolíticas, especialmente envolvendo terras raras — insumos essenciais para tecnologias como carros elétricos, eletrônicos e equipamentos industriais. De acordo com Tiago, restrições de exportação e a concentração da produção em poucos países acenderam um alerta mundial sobre a necessidade de diversificação.

“Hoje existe uma preocupação global em garantir cadeias de suprimento mais resilientes. Isso abre espaço para novos projetos, como o de Araxá”, afirma.

Apesar das incertezas internacionais, como conflitos e variações nos preços de insumos, o diretor afirma que o planejamento da empresa segue mantido. “O nosso foco é avançar com o projeto e entrar em operação o mais rápido possível, sempre com visão de longo prazo”, conclui.