Ação realizada na manhã desta quinta-feira busca informar a população e incentivar diagnóstico precoce e inclusão social de pacientes
A Associação de Pais e Amigos Excepcionais de Araxá (Apae) promoveu, na manhã desta quinta-feira (9), uma blitz educativa em alusão ao Dia Mundial da Doença de Parkinson. A ação teve como objetivo conscientizar a população sobre a doença, reforçar a importância do diagnóstico precoce e mostrar que é possível manter qualidade de vida mesmo após a confirmação da condição.
Realizada há três anos, a iniciativa já apresenta resultados concretos. Segundo a psicóloga da instituição, ElaIne Cristina da Costa Reis, a mobilização tem contribuído para que pessoas que estavam isoladas procurem ajuda e passem a integrar o grupo de acompanhamento. Ela destaca que o trabalho vai além da informação e atua diretamente na inclusão social dos pacientes, ao afirmar que "é uma forma de mostrar para a população que existe vida depois do diagnóstico", especialmente para aqueles que ainda enfrentam o medo e a falta de perspectiva.
Tratamento e acolhimento multidisciplinar
A doença de Parkinson é uma condição neurodegenerativa progressiva, que afeta principalmente os movimentos. De acordo com o Ministério da Saúde, estima-se que cerca de 200 mil pessoas vivam com a doença no Brasil. Informações detalhadas podem ser acessadas no portal oficial: www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/p/parkinson
Apesar de não ter cura, o tratamento adequado pode retardar significativamente a evolução dos sintomas. Nesse sentido, ElaIne reforça que o acompanhamento correto faz toda a diferença na qualidade de vida dos pacientes, explicando que "se fizer os tratamentos adequados, tanto medicamentos quanto clínico, a evolução da doença é mais lenta e eles conseguem ter uma vida normal".
Na APAE, o atendimento é realizado por uma equipe multidisciplinar, composta por psicologia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e fisioterapia. Além dos cuidados clínicos, o grupo também trabalha o acolhimento emocional e a socialização, considerados pilares essenciais no processo de reabilitação. Para a psicóloga, o sentimento de pertencimento é fundamental, já que muitos pacientes chegam ao serviço em situação de isolamento.
Caminho para acesso ao atendimento
O ingresso no programa da APAE ocorre por meio de encaminhamento da rede pública de saúde. Como a instituição funciona com porta fechada, o paciente deve procurar atendimento médico, obter o encaminhamento e dar entrada na unidade de saúde mais próxima, que encaminha o caso à Secretaria Municipal de Saúde. A partir daí, a equipe da associação realiza a avaliação e direciona o paciente para os atendimentos necessários.
A efetividade da blitz já pode ser medida na prática. Segundo ElaIne, ao menos dois pacientes chegaram até a instituição após terem contato com a ação por meio de entrevistas e reportagens.
Exemplo de superação
Durante a blitz, um dos participantes do grupo compartilhou sua experiência com o tratamento. Aos 83 anos, Carlos Castanheira relatou melhora significativa após ingressar na APAE há cerca de três meses, afirmando que "já melhorei 95%". Ele destacou ainda a evolução nos sintomas físicos, especialmente nas pernas, e demonstrou satisfação com o acompanhamento recebido, reforçando que o tratamento oferecido tem sido fundamental para sua recuperação e bem-estar.
A ação em Araxá reforça a importância de iniciativas locais que ampliam o acesso à informação e incentivam o cuidado com a saúde. Mais do que conscientizar, a blitz evidencia que, com acompanhamento adequado e apoio coletivo, é possível conviver com a doença de forma mais ativa e digna.