Entrevista no programa Vida Ativa 60+ destaca alimentação balanceada, convivência e atendimento multidisciplinar como pilares no cuidado com a pessoa idosa
A rotina, o afeto e o acompanhamento profissional foram os principais temas abordados durante entrevista ao vivo no programa Vida Ativa 60+, da Rádio Imbiara, em Araxá. A conversa reuniu representantes do Residencial Santa Clara, instituição voltada ao atendimento de idosos, que compartilharam detalhes sobre o funcionamento do espaço, os desafios do cuidado diário e a importância da nutrição na terceira idade.
Participaram do bate-papo Gisele Silva, do setor administrativo, e a nutricionista Fernanda Augusta. Elas explicaram que o modelo adotado pela instituição vai além da hospedagem, envolvendo uma abordagem integral que inclui saúde física, alimentação equilibrada e estímulos sociais.
Segundo Gisele, o diferencial do residencial está na forma como os idosos são tratados. “A fórmula que nós utilizamos no residencial hoje e sempre é o amor. O carinho é a nossa prioridade”, afirmou. Atualmente, o espaço conta com 31 residentes fixos, com capacidade para 33, além da modalidade “residencial dia”, que permite que idosos passem o dia no local e retornem para casa à noite.
Rotina estruturada e atividades
A programação semanal inclui atividades físicas, cognitivas e recreativas. Há sessões de fisioterapia, passeios externos, jogos de memória, música, dança e até um dia dedicado à beleza. A proposta, segundo a equipe, é manter os idosos ativos e socialmente integrados.
A convivência entre os residentes também faz parte do processo. Apesar de eventuais conflitos, considerados naturais, o ambiente é descrito como harmonioso. “De vez em quando tem uma briga igual criança na escola, mas a gente vai mediando para manter o ambiente leve”, explicou Gisele.
Alimentação como pilar da saúde
A nutrição é um dos pontos centrais do cuidado. Fernanda Augusta destacou que o envelhecimento impacta diretamente o paladar, a digestão e o metabolismo, exigindo adaptações específicas na dieta.
“O idoso não precisa comer muito, ele precisa se nutrir. A gente trabalha com qualidade alimentar, mesmo em pequenas quantidades”, explicou. No residencial, os moradores recebem seis refeições diárias, com cardápio adaptado às condições de saúde de cada um.
A instituição trabalha com diferentes tipos de dieta — sólida, pastosa e líquida — além de suplementação quando necessário. O objetivo é evitar perda de peso e preservar a massa muscular, prevenindo condições como a sarcopenia.
Fernanda também ressaltou a importância de evitar alimentos ultraprocessados, devido ao alto teor de sódio e conservantes. “A gente prioriza alimentos frescos, muitos deles orgânicos. Usamos temperos naturais e evitamos industrializados ao máximo”, afirmou.
Relação com as famílias
Outro ponto destacado foi o vínculo com os familiares. A visitação é liberada diariamente, mediante agendamento, para não interferir na rotina dos residentes. A equipe também orienta os familiares sobre cuidados com alimentação e saúde. “Se não há uma boa relação com a família, é impossível dar certo. A gente constrói essa confiança com diálogo e transparência”, disse Gisele.
Envelhecimento no Brasil
O tema ganha ainda mais relevância diante do envelhecimento da população brasileira. Dados do IBGE mostram que o número de pessoas com 60 anos ou mais deve dobrar até 2050, representando cerca de 30% da população do país.
Esse cenário reforça a necessidade de estruturas adequadas e políticas públicas voltadas à terceira idade. Informações detalhadas sobre o envelhecimento populacional podem ser consultadas no site oficial do instituto:
Estrutura e equipe multidisciplinar
O Residencial Santa Clara conta com uma equipe de aproximadamente 25 profissionais, incluindo médicos, enfermeiros, cuidadores, fisioterapeutas, nutricionista e educador físico. A proposta é oferecer atendimento contínuo e individualizado.
Além dos residentes fixos, o espaço também recebe idosos em regime temporário, conhecido como “day use”, muito procurado por famílias que precisam se ausentar por viagens ou compromissos.
Cuidado que vai além da assistência
Ao final da entrevista, as representantes reforçaram que o acolhimento em instituições especializadas não deve ser visto como abandono, mas como uma forma de garantir qualidade de vida. “Deixar também é um ato de amor. Lá eles têm rotina, cuidado e atenção que muitas vezes a família não consegue oferecer no dia a dia”, destacou Fernanda.
A instituição está localizada na região central de Araxá e recebe visitas agendadas para quem deseja conhecer o espaço e entender melhor o funcionamento do serviço.
A discussão evidencia que, mais do que assistência, o cuidado com a pessoa idosa exige planejamento, conhecimento técnico e, principalmente, sensibilidade — um desafio crescente diante das transformações demográficas do país.